{"id":16553,"date":"2018-08-09T01:50:09","date_gmt":"2018-08-08T23:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=16553\/"},"modified":"2018-08-09T01:50:09","modified_gmt":"2018-08-08T23:50:09","slug":"fundamentos-da-teoria-objetiva-da-justica-joao-marcos-theodoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/fundamentos-da-teoria-objetiva-da-justica-joao-marcos-theodoro\/","title":{"rendered":"FUNDAMENTOS DA TEORIA OBJETIVA DA JUSTI\u00c7A. Jo\u00e3o Marcos Theodoro"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">FUNDAMENTOS DA TEORIA OBJETIVA DA JUSTI\u00c7A<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><em>\u00a0 \u00a0 &#8211; Jo\u00e3o Marcos Theodoro &#8211;\u00a0\u00a0<\/em><\/span><\/h4>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O prop\u00f3sito deste texto \u00e9 apresentar uma formula\u00e7\u00e3o da teoria objetiva da justi\u00e7a, isto \u00e9, uma teoria sobre o dever-ser objetivamente justific\u00e1vel. Para isso se usar\u00e1 o m\u00e9todo l\u00f3gico-dedutivo, partindo de pressupostos ineg\u00e1veis. Sabe-se que toda comunica\u00e7\u00e3o possui pressupostos. Alguns desses pressupostos fazem parte do pr\u00f3prio pano de fundo da comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o essenciais a ela. N\u00e3o podem ser provados sem petitio principii (i.e., sem ser admitidos logo de in\u00edcio como verdadeiros) e nem podem ser negados sem que se caia em contradi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica (i.e., sem que sua veracidade seja condi\u00e7\u00e3o de possibilidade do pr\u00f3prio ato de negar sua veracidade, como quando algu\u00e9m diz \u201ceu n\u00e3o existo\u201d). Essas verdades fundamentais sempre admitidas em qualquer discurso podem ser chamadas de proposi\u00e7\u00f5es pragm\u00e1tico-transcendentais, como denominadas pelo fil\u00f3sofo Karl-Otto Apel, ou de verdades dial\u00e9ticas, como assim as chama o jusfil\u00f3sofo Frank van Dun. Dado que ju\u00edzos de valor s\u00e3o essencialmente injustific\u00e1veis, pois se o fossem seriam ent\u00e3o ju\u00edzos de fato, segue-se que essa teoria n\u00e3o dever\u00e1 conter ju\u00edzos de valor. Assim, a \u00c9tica manter\u00e1 seu car\u00e1ter de ci\u00eancia wertfrei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Primeiro, ser\u00e1 fornecida uma defini\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a, que indique o que ela \u00e9. Depois, na parte sobre a \u00c9tica, se dir\u00e1 o que esta \u00e9, qual o seu \u00e2mbito de validade e qual o seu conte\u00fado. Com base no conte\u00fado da \u00e9tica, se dir\u00e1 como deve ser o Direito, utilizando-se as categorias deste. Por fim, se mostrar\u00e1 uma consequ\u00eancia pr\u00e1tica aprioristicamente deduz\u00edvel e necess\u00e1ria da ado\u00e7\u00e3o desse sistema normativo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Pretende-se formular uma teoria completa dos fundamentos primeiros da justi\u00e7a, que sirva de base absoluta para resolver todas as quest\u00f5es de direito. Essa teoria servir\u00e1 apenas de funda\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de todo o edif\u00edcio te\u00f3rico jur\u00eddico. Ela n\u00e3o servir\u00e1 para resolver, por si s\u00f3, todos os conflitos. Para usar a distin\u00e7\u00e3o de Konrad Graf, trata-se apenas da Teoria Legal (e, na verdade, mais restritamente ainda, apenas dos seus fundamentos \u00faltimos), e n\u00e3o da Pr\u00e1tica Legal. A correta aplica\u00e7\u00e3o do Direito no caso concreto envolve elementos emp\u00edricos e contingentes. Mas essa aplica\u00e7\u00e3o dever\u00e1 remeter sempre aos mesmos fundamentos gerais absolutos, para ser justific\u00e1vel. Assim, os fundamentos poder\u00e3o dizer se \u00e9 permitido matar, mas n\u00e3o se houve, no caso concreto, assassinato. Dir\u00e3o os elementos que devem estar presentes para configurar apropria\u00e7\u00e3o de coisa, mas n\u00e3o poder\u00e3o dizer se, em dado caso concreto, eles estavam presentes. Disso se ocupar\u00e1 a Pr\u00e1tica Legal. Este texto quer apresentar t\u00e3o somente os fundamentos \u00faltimos do Direito, com base nos quais se decidir\u00e3o as controv\u00e9rsias \u00e9ticas, tais como a do aborto, as dos fornecimentos de certos produtos ou servi\u00e7os, a sobre como se estipula a puni\u00e7\u00e3o justa, a da propriedade intelectual etc. Deve ser dito que n\u00e3o se pretende, aqui, esgotar as conclus\u00f5es aprior\u00edsticas que se podem extrair dos fundamentos. Deve-se tamb\u00e9m dizer que quest\u00f5es morais n\u00e3o ser\u00e3o discutidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 As categorias e conclus\u00f5es da Praxeologia ser\u00e3o pressupostas como verdadeiras, pois a finalidade deste texto n\u00e3o \u00e9 justific\u00e1-las, at\u00e9 porque elas j\u00e1 se encontram justificadas em outros escritos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se todo sistema normativo possui uma norma fundamental \u00e0 qual todas as outras normas remetem e que torna o sistema coeso, a norma fundamental da teoria objetiva da justi\u00e7a \u00e9 o princ\u00edpio da n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o. Dado este princ\u00edpio, excluem-se todas as outras teorias da justi\u00e7a como injustific\u00e1veis, por estarem com ele em desacordo. Por conseguinte, n\u00e3o haver\u00e1 necessidade de refuta\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas de cada uma das teorias n\u00e3o objetivas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para deixar claro, o racioc\u00ednio deste texto, em sua grande maior parte, excetuando-se a se\u00e7\u00e3o Da Justi\u00e7a, se deve a escritos de Hans-Hermann Hoppe, Murray Rothbard, Frank van Dun, Stephan Kinsella, Karl-Otto Apel e Hans Kelsen, mas principalmente de Hans-Hermann Hoppe, e a discuss\u00f5es com meu amigo Morris Arozi. Deve ficar claro tamb\u00e9m que, embora se chame teoria objetiva da justi\u00e7a, \u00e9 exatamente igual, nas bases, \u00e0 teoria da justi\u00e7a austrolibert\u00e1ria, como tamb\u00e9m assim poderia estar no t\u00edtulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Da Justi\u00e7a.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Quando perguntamos o que algo \u00e9, queremos sua defini\u00e7\u00e3o real, obtida pelo m\u00e9todo de unir g\u00eanero pr\u00f3ximo mais diferen\u00e7a espec\u00edfica. Dessa forma, podemos definir Justi\u00e7a assim: Justi\u00e7a \u00e9 conformidade com o dever-ser. Justo \u00e9 qualidade daquilo que est\u00e1 conforme ao dever-ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 As f\u00f3rmulas de justi\u00e7a j\u00e1 propostas s\u00e3o, na realidade, normas, e n\u00e3o a justi\u00e7a em si. Por exemplo, considere a f\u00f3rmula do suum cuique tribuere \u2013 dar a cada um o que \u00e9 seu. Esse princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a, \u00e9 uma regra de conduta considerada justa. Para essa tese, justi\u00e7a seria conformidade com a regra segundo a qual a cada um deve ser dado o que \u00e9 seu, e justo seria qualidade daquilo que estivesse conforme a essa regra. Igualdade, para dar outro exemplo, tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser a defini\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a, porque n\u00e3o estaria indicando o que a justi\u00e7a \u00e9, e sim o que ela deveria ser. No entanto, se observarmos as respostas propostas para o problema da justi\u00e7a, veremos que sempre a Justi\u00e7a \u00e9 pensada como a conformidade com algum dever-ser especificado. Toda teoria da justi\u00e7a afirma que esta \u00e9 conformidade com algum dever-ser, mas especifica esse dever-ser como se a esp\u00e9cie fosse o g\u00eanero, e assim n\u00e3o exp\u00f5e a ess\u00eancia da justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Justi\u00e7a \u00e9 conformidade com o dever-ser. Se o dever tiver origem em um ju\u00edzo de valor, trata-se de justi\u00e7a subjetiva. Se o dever derivar de uma prova racional, trata-se da justi\u00e7a objetiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Existem infinitas justi\u00e7as subjetivas, de modo que uma chuva, uma alegria ou mesmo a vida pode ser dita justa ou injusta, em conformidade com o crit\u00e9rio subjetivo de justi\u00e7a de quem emitir o julgamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Quanto \u00e0 justi\u00e7a objetiva, s\u00f3 pode haver uma, pois algo n\u00e3o pode, objetivamente, segundo os mesmos fundamentos, dever ser e n\u00e3o dever ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Da \u00c9tica.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se existe um dever-ser objetivo, ele s\u00f3 pode ser descoberto cient\u00edfico-racionalmente, e a ci\u00eancia que o investiga \u00e9 a \u00c9tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 \u00c9tica, ent\u00e3o, \u00e9 a ci\u00eancia que investiga o dever-ser objetivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Complementarmente, deve-se provar o livre-arb\u00edtrio, porque a categoria do dever-ser pressup\u00f5e capacidade de autodetermina\u00e7\u00e3o, capacidade de escolha. O livre-arb\u00edtrio \u00e9 provado mostrando-se que ele \u00e9 precondi\u00e7\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pode ser, portanto, negado sem contradi\u00e7\u00e3o performativa. Dado que a\u00e7\u00e3o \u00e9 comportamento propositado, e que prop\u00f3sito pressup\u00f5e significado, verdade, falsidade e outros conceitos mentais, ent\u00e3o a atividade de argumentar, que \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m os pressup\u00f5e. Para deixar claro, argumentar presume que o agente \u00e9 capaz de apreender o significado dos argumentos e decidir mudar de opini\u00e3o por for\u00e7a t\u00e3o somente de seu valor verdade, e n\u00e3o por for\u00e7a de uma cadeia causal. Se isso n\u00e3o fosse verdadeiro, n\u00e3o haveria atividade argumentativa \u2013 tudo j\u00e1 estaria predeterminado.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">O m\u00e9todo da \u00e9tica.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como toda ci\u00eancia, a \u00e9tica possui um m\u00e9todo. Seu m\u00e9todo leg\u00edtimo \u00e9 o l\u00f3gico-dedutivo. Seu m\u00e9todo s\u00f3 pode ser o l\u00f3gico-dedutivo porque o prop\u00f3sito da \u00e9tica \u00e9 descobrir o dever-ser objetivo. Sendo este universal e eterno, como ser\u00e1 demonstrado, jamais se poderia obt\u00ea-lo por indu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, visto que a \u00e9tica possui uma finalidade pr\u00e1tica, a saber, a condu\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o dos homens em sociedade, ela deve nos ensinar como agir neste exato momento, dando-nos normas justific\u00e1veis para seguir desde j\u00e1, ao inv\u00e9s de nos deixar sem regra alguma, esperando para ver os resultados. Mesmo porque a propositura da norma \u201cdevo esperar para ver os resultados\u201d seria autocontradit\u00f3ria, pois j\u00e1 pressuporia uma a\u00e7\u00e3o positiva diferente \u2013 a saber, o racioc\u00ednio. Ent\u00e3o, primeiro, devemos raciocinar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 N\u00e3o podemos escolher arbitrariamente as regras. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos escolher quaisquer crit\u00e9rios para, com base neles, estabelec\u00ea-las. Porque ambas as op\u00e7\u00f5es pressuporiam ju\u00edzos de valor como fundamento \u00faltimo das normas, e ju\u00edzos de valor s\u00e3o essencialmente injustific\u00e1veis; se fossem justific\u00e1veis, seriam ju\u00edzos de fato. E ent\u00e3o as normas seriam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, injustific\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 As normas \u00e9ticas devem, portanto, ser descobertas atrav\u00e9s do racioc\u00ednio, e n\u00e3o criadas, para que sejam absolutamente justificadas.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">A estrutura formal da \u00e9tica: seu \u00e2mbito de validade<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A \u00e9tica \u00e9 a ci\u00eancia que estuda o dever-ser objetivo. Como a categoria do dever-ser s\u00f3 se aplica a seres racionais, agentes capazes de escolher, a \u00e9tica \u00e9 a ci\u00eancia que estuda o dever-ser objetivo da conduta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O fim da \u00e9tica \u00e9 demonstrar a exist\u00eancia de um sistema de normas objetivo, que seja racionalmente justific\u00e1vel. Seu \u00e2mbito de validade \u00e9 exatamente o mesmo da praxeologia, isto \u00e9, vale para todos os seres agentes, em todos os lugares e em todos os tempos. Isso porque lida com o dever-ser objetivo da a\u00e7\u00e3o, que existe sempre e onde quer que haja seres agentes, como a praxeologia lida com o ser da a\u00e7\u00e3o, valendo onde quer que haja seres agentes e em qualquer tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Desse modo, as normas da \u00e9tica t\u00eam \u00e2mbitos de validade espacial, temporal e pessoal ilimitados: valem em todos os lugares, em todos os tempos e para todos os seres racionais, e somente para eles. Qualquer limita\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o desse \u00e2mbito contradiria a natureza da \u00e9tica e s\u00f3 poderia se fundar em um ju\u00edzo de valor. Da mesma forma, as conclus\u00f5es da praxeologia valem para todos os agentes, sem restri\u00e7\u00e3o de nenhum tipo, sob pena de contradi\u00e7\u00e3o l\u00f3gica na teoria. A praxeologia estuda como a a\u00e7\u00e3o \u00e9, ao passo que a \u00e9tica estuda como a a\u00e7\u00e3o deve ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 III. As condi\u00e7\u00f5es materiais de possibilidade da \u00e9tica<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para que existam normas \u00e9ticas, \u00e9 preciso que seus pressupostos materiais estejam presentes, quais sejam: seres racionais em sociedade e escassez de recursos. Para um indiv\u00edduo isolado hipot\u00e9tico, n\u00e3o faz sentido falar em \u00e9tica, a n\u00e3o ser como exerc\u00edcio mental, j\u00e1 que ele, por estar sozinho, n\u00e3o possui nenhum dever frente a outro agente. Em uma imagin\u00e1ria sociedade sem escassez, tamb\u00e9m n\u00e3o seria poss\u00edvel pensar em normas, uma vez que a a\u00e7\u00e3o de uma pessoa jamais afetaria outra (observemos que, nessa constru\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, n\u00e3o haveria nem sequer agentes, pois que a\u00e7\u00e3o sempre pressup\u00f5e escassez). Do mesmo modo, em uma sociedade onde todas as a\u00e7\u00f5es fossem perfeitamente coordenadas, o conceito de dever n\u00e3o surgiria, pois n\u00e3o haveria possibilidade de se atrapalharem a\u00e7\u00f5es alheias (todos j\u00e1 estariam, por assim dizer, sempre fazendo o que deveriam fazer conforme os julgamentos de todos, o que significaria a mesma coisa que aus\u00eancia de escassez). Toda descoordena\u00e7\u00e3o acontece entre dois ou mais indiv\u00edduos a respeito do uso de bens escassos, isto \u00e9, a respeito de como esses bens escassos dever\u00e3o ser usados. Portanto, s\u00f3 faz sentido falar em dever quando h\u00e1 possibilidade de conflitos interpessoais sobre o modo de uso de bens escassos.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">O conte\u00fado normativo da \u00e9tica.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O indiv\u00edduo deve respeitar os ditames da raz\u00e3o. Isso significa que as normas sob as quais o indiv\u00edduo agir\u00e1 devem ser racionalmente justific\u00e1veis. Justificar a norma sob a qual o indiv\u00edduo agir\u00e1 significa justificar a a\u00e7\u00e3o resultante dessa norma. A norma oposta, que diz que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser justific\u00e1veis, \u00e9 imposs\u00edvel de se justificar sem contradi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Porque, se o sujeito diz que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser justific\u00e1veis, sua a\u00e7\u00e3o de aderir a essa norma deve n\u00e3o ser justific\u00e1vel, logo essa norma n\u00e3o pode possuir justifica\u00e7\u00e3o. E, se a ades\u00e3o a essa norma fosse justific\u00e1vel, ent\u00e3o seria imposs\u00edvel justific\u00e1-la sem se contradizer, pois se estaria justificando a norma segundo a qual as normas n\u00e3o devem ser justific\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se todas as normas de conduta devem ser justific\u00e1veis de acordo com a raz\u00e3o, e se a raz\u00e3o possui sempre os mesmos fundamentos, todas as normas de conduta devem ter os mesmos fundamentos. Como os fundamentos da raz\u00e3o s\u00e3o conhec\u00edveis por todos os seres racionais, s\u00e3o epistemicamente objetivos, e logo as normas de conduta s\u00e3o tamb\u00e9m objetivas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Toda norma cont\u00e9m um dever. Normas s\u00e3o objetivas quando cont\u00eam um dever objetivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O dever-ser objetivo vale em todos os lugares e tempos, pois algo n\u00e3o pode, objetivamente, conforme os mesmos fundamentos, dever ser e n\u00e3o dever ser. Vale, tamb\u00e9m, para todos os seres racionais, e somente para eles, porque somente eles devem ou n\u00e3o devem fazer algo, em virtude de sua capacidade de escolha. Os entes n\u00e3o racionais n\u00e3o agem e, portanto, deles n\u00e3o se pode exigir este ou aquele curso de a\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o haveria dever, nem n\u00e3o dever, se todas as a\u00e7\u00f5es fossem perfeitamente coordenadas, isto \u00e9, se uma jamais atrapalhasse ou impedisse outra. Tal conflito s\u00f3 pode concebivelmente existir quando n\u00e3o h\u00e1 bens suficientes para satisfazer a todas as vontades ao mesmo tempo e com igual intensidade. Logo, se existe um dever, este s\u00f3 existe entre indiv\u00edduos em rela\u00e7\u00e3o ao modo de uso dos bens escassos. Dado que as a\u00e7\u00f5es sempre acontecem com o uso de bens escassos, e dado que o indiv\u00edduo deve agir, pois neg\u00e1-lo renderia uma contradi\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica, segue-se que o indiv\u00edduo deve agir sobre bens escassos. Agir sobre bens escassos pressup\u00f5e decidir sobre seu modo de uso, logo o indiv\u00edduo deve decidir sobre o modo de uso dos objetos. As decis\u00f5es, que cont\u00eam deveres, n\u00e3o devem entrar em conflito, do contr\u00e1rio esses deveres n\u00e3o estariam baseados nos mesmos fundamentos racionais objetivos e, por consequ\u00eancia, pelo menos um deles seria injustific\u00e1vel. A \u00fanica forma de as decis\u00f5es n\u00e3o entrarem em contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 elas serem exclusivas. Al\u00e9m disso, afirmar que as decis\u00f5es devem entrar em conflito resultaria numa contradi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, pois o ato de afirm\u00e1-lo j\u00e1 pressuporia uma decis\u00e3o necessariamente exclusiva sobre um bem escasso, a saber, o pr\u00f3prio corpo. Assim, as decis\u00f5es sobre os usos dos bens devem ser exclusivas, isto \u00e9, somente a decis\u00e3o de um indiv\u00edduo deve valer para determinar o modo de uso de determinado objeto. Os indiv\u00edduos, ent\u00e3o, devem respeitar a exclusividade da decis\u00e3o alheia sobre o uso de certos bens escassos. O dever geral de respeitar a exclusividade da decis\u00e3o alheia sobre o uso de um bem significa o direito individual de propriedade privada sobre o bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Dado que o dever de respeitar a propriedade privada \u00e9 um dever objetivo, ele fundamenta a justi\u00e7a objetiva e, logo, o Direito objetivamente justo. Com base na justi\u00e7a objetiva, ser\u00e1 dito o direito objetivamente justo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Do Direito.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O Direito, entendido como ordenamento jur\u00eddico positivo, sendo um conjunto de normas, deve ser como deve ser, pois de outro modo o ordenamento seria injustific\u00e1vel. Em outras palavras, o \u00fanico ordenamento jur\u00eddico justific\u00e1vel \u00e9 aquele que est\u00e1 conforme \u00e0s conclus\u00f5es da \u00e9tica. Se as a\u00e7\u00f5es devem ser justific\u00e1veis, a fortiori os ordenamentos jur\u00eddicos.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">O bem jur\u00eddico e sua aquisi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como o dever-ser s\u00f3 se refere \u00e0 propriedade, este \u00e9 o \u00fanico tipo de bem que deve ser protegido pelo direito. Resta, ent\u00e3o, responder quais bens s\u00e3o pass\u00edveis de apropria\u00e7\u00e3o e de que maneira um bem passa a ser propriedade de um indiv\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 S\u00e3o pass\u00edveis de apropria\u00e7\u00e3o apenas os bens escassos, sobre cujo uso pode haver conflito, porque o dever-ser da a\u00e7\u00e3o s\u00f3 diz respeito a esses bens. Quanto a como tais objetos se tornam propriedade de um determinado indiv\u00edduo, o \u00fanico princ\u00edpio isento de contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio da apropria\u00e7\u00e3o original, segundo o qual o bem pertence \u00e0quele que us\u00e1-lo primeiro. H\u00e1, ent\u00e3o, dois modos justific\u00e1veis de aquisi\u00e7\u00e3o de propriedade: por apropria\u00e7\u00e3o original de objeto sem dono (res nullius) e por contrato, neg\u00f3cio em que o dono de um objeto transfere voluntariamente seu t\u00edtulo de propriedade para outro indiv\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se as decis\u00f5es devem ser exclusivas, \u00e9 preciso que seja poss\u00edvel distinguir quando algo \u00e9 propriedade de algu\u00e9m, do contr\u00e1rio haveria conflito. Essa distin\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel mediante o estabelecimento de fronteiras objetivas de propriedade, definida em termos f\u00edsicos, intersubjetivamente verific\u00e1veis. Como agir \u00e9 usar meios (f\u00edsicos) para atingir fins (mentais), a apropria\u00e7\u00e3o ocorre sobre objetos f\u00edsicos na medida da inten\u00e7\u00e3o com que foram usados para se atingir o fim, ou seja, apenas dentro da esfera de a\u00e7\u00e3o do apropriador. Desse modo, quando um navegante pisa em terras de uma ilha desconhecida, n\u00e3o se apropria da ilha inteira, mas apenas da parte sobre a qual incide sua a\u00e7\u00e3o imediatamente. Al\u00e9m disso, o sujeito deve ter animus domini, a vontade de ser dono, para ser apropriador, do contr\u00e1rio ele n\u00e3o estar\u00e1 tomando para si a responsabilidade de decidir exclusivamente sobre o uso do bem, n\u00e3o constituindo t\u00edtulo de propriedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A palavra \u201cf\u00edsico\u201d deve ser, aqui, entendida no sentido amplo, pois \u00e9 poss\u00edvel que objetos imateriais sejam apropriados, na medida em que possam ser usados como meios de a\u00e7\u00e3o e tenham limites intersubjetivamente verific\u00e1veis, como as criptomoedas. Em s\u00edntese, algo pode ser propriedade sempre que for escasso e control\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para clarificar mais a quest\u00e3o, imagine-se que um homem constr\u00f3i uma casa num terreno. Esse homem se apropriou de parte do c\u00e9u e parte do subsolo contidas em sua esfera de a\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, as partes necess\u00e1rias ao uso pleno do bem tal como ele o utiliza. Se, por\u00e9m, o homem constr\u00f3i um aeroporto no mesmo terreno, ele se apropria de uma bem maior parte do c\u00e9u, pois sua esfera de a\u00e7\u00e3o agora abrange essa parte.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">O sujeito de direito e a comunidade jur\u00eddica.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se o \u00fanico dever \u00e9 o de respeitar a propriedade privada, pois de outro modo haveria contradi\u00e7\u00e3o, e se somente seres racionais podem ter propriedade, ent\u00e3o somente seres racionais s\u00e3o sujeitos de direito. O conjunto dos seres racionais forma a comunidade jur\u00eddica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O crit\u00e9rio objetivo para saber se um ser \u00e9 racional \u00e9 o da capacidade comunicativa. Se o ser \u00e9 capaz de se comunicar com sentido, ele \u00e9 racional, porque sem racionalidade a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Tal capacidade deve ser em ato, e n\u00e3o em pot\u00eancia, para haver sujeito de direito, porque a capacidade em pot\u00eancia n\u00e3o pressup\u00f5e racionalidade. Deve-se distinguir a capacidade comunicativa da sua possibilidade. Quando o sujeito est\u00e1 impossibilitado de se comunicar, ele ainda tem capacidade comunicativa. Por outro lado, quando o sujeito n\u00e3o tem essa capacidade, sua comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode acontecer sob nenhuma condi\u00e7\u00e3o conceb\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ent\u00e3o, seres irracionais n\u00e3o s\u00e3o sujeitos de direito, os que perdem a racionalidade deixam de s\u00ea-lo, e os que ganham-na passam a s\u00ea-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 III. Teoria da responsabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Um dever jur\u00eddico \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o. O descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o faz surgir a responsabilidade. Como a a\u00e7\u00e3o envolve um elemento f\u00edsico-externo e um elemento mental-interno, e o descumprimento de uma obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o s\u00f3 surge responsabilidade quando existe causa\u00e7\u00e3o (referente ao elemento exterior) mais inten\u00e7\u00e3o (referente ao elemento interior). Se n\u00e3o h\u00e1 causa\u00e7\u00e3o, nenhum bem externo foi afetado; se n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m agiu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A \u00fanica obriga\u00e7\u00e3o que existe, objetivamente, \u00e9 a de respeitar a propriedade privada. Assim, s\u00f3 h\u00e1 responsabilidade quando um indiv\u00edduo perturba a propriedade privada intencionalmente. A inten\u00e7\u00e3o pode ser de dois tipos: inten\u00e7\u00e3o com delibera\u00e7\u00e3o (dolo) e inten\u00e7\u00e3o sem delibera\u00e7\u00e3o (culpa). Neste segundo tipo, o efeito causado n\u00e3o era o prop\u00f3sito da sua a\u00e7\u00e3o, mas o agente poderia t\u00ea-lo evitado se quisesse, e evitar esse efeito \u00e9 um dever sempre que o n\u00e3o faz\u00ea-lo implica turba\u00e7\u00e3o de propriedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Causa\u00e7\u00e3o sem inten\u00e7\u00e3o \u00e9 acidente. Como aus\u00eancia de inten\u00e7\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de a\u00e7\u00e3o, acidentes n\u00e3o implicam responsabilidade. Inten\u00e7\u00e3o sem causa\u00e7\u00e3o \u00e9 mero desejo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Desse modo, os elementos da responsabilidade s\u00e3o: conduta il\u00edcita, nexo causal e culpa lato sensu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O elemento dano \u2013 que se define como valor negativo causado por outrem \u2013 n\u00e3o est\u00e1 implicado na dedu\u00e7\u00e3o, logo n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para configurar responsabilidade, embora sua percep\u00e7\u00e3o ajude a saber se houve viola\u00e7\u00e3o. A distin\u00e7\u00e3o entre responsabilidade civil e penal tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 implicada.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #808080;\">Teoria da puni\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se o indiv\u00edduo agir conforme objetivamente n\u00e3o deve agir, ele demonstra, atrav\u00e9s da sua conduta, que prefere agir fora dos ditames da raz\u00e3o. Ent\u00e3o, ele n\u00e3o poder\u00e1, sem se contradizer, argumentar que ajam com ele dentro desses ditames. Desse modo, ele se torna uma res nullius e se retira da comunidade jur\u00eddica, tornando-se pass\u00edvel de apropria\u00e7\u00e3o por qualquer sujeito de direito, aplicando-se o princ\u00edpio do primeiro que chega.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Mas, se a decis\u00e3o do propriet\u00e1rio sobre o modo de uso dos seus bens \u00e9 exclusiva, ele pode decidir como eles ser\u00e3o usados no futuro ou convalidar usos anteriores, dando consentimento posterior. Dessa forma, a v\u00edtima, e somente ela, pode confirmar se houve viola\u00e7\u00e3o. E s\u00f3 ela tem, portanto, a faculdade de perdoar o violador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A puni\u00e7\u00e3o \u00e9 discricion\u00e1ria e facultativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como o indiv\u00edduo tem poder de decis\u00e3o sobre o uso de sua propriedade, ele pode criar legisla\u00e7\u00f5es sobre ela. E, dado que n\u00e3o h\u00e1 limite para a puni\u00e7\u00e3o, e dado que contratos s\u00e3o neg\u00f3cios compat\u00edveis com o direito de propriedade, cada sociedade baseada em contratos poder\u00e1 predefinir as puni\u00e7\u00f5es que aplicar\u00e1 \u00e0s condutas proibidas. Associar-se voluntariamente a determinada sociedade implicar\u00e1 a aceita\u00e7\u00e3o de sua legisla\u00e7\u00e3o. Nessas legisla\u00e7\u00f5es, influir\u00e3o, certamente, a moral e os costumes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Da efici\u00eancia econ\u00f4mica da justi\u00e7a.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Riqueza \u00e9 o conjunto dos bens econ\u00f4micos. S\u00f3 existem tr\u00eas modos de se obterem bens econ\u00f4micos, a saber: por apropria\u00e7\u00e3o, por produ\u00e7\u00e3o ou por contrato. Na apropria\u00e7\u00e3o, o sujeito se apropria de algo antes sem dono. Na produ\u00e7\u00e3o, o sujeito transforma mat\u00e9ria-prima em alguma coisa. No neg\u00f3cio contratual, um indiv\u00edduo d\u00e1 algo a outro e deste recebe algo diferente, se for neg\u00f3cio oneroso, ou ent\u00e3o nada recebe em troca, se for neg\u00f3cio gratuito. Como a a\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que o agente valoriza mais o resultado pretendido do que a situa\u00e7\u00e3o da qual ele parte, essas tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es t\u00eam potencial para gerar valor para os agentes. Ent\u00e3o, em regra, na apropria\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo inclui na sua esfera patrimonial mais um bem; na produ\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo transforma um bem em um bem mais valioso; e, no ato contratual oneroso, o indiv\u00edduo d\u00e1 a outro um bem e recebe do outro um bem de valor maior. Essas tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o as \u00fanicas atrav\u00e9s das quais se pode aumentar o conjunto geral de bens, aumentando a quantidade dos bens ou tornando-os maiores. Logo, quanto mais essas opera\u00e7\u00f5es forem feitas, maior ser\u00e1 a riqueza total.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Em uma viola\u00e7\u00e3o da propriedade, algu\u00e9m que n\u00e3o o seu dono decide sobre seu uso, sem que tenha havido consentimento do dono. N\u00e3o havendo anu\u00eancia do dono, significa que o dono n\u00e3o queria o resultado obtido pelo violador. Ent\u00e3o, o infrator aumentou sua riqueza em detrimento da do propriet\u00e1rio. \u00c9 imposs\u00edvel saber se o aumento de riqueza do infrator \u00e9 maior que a perda de riqueza da v\u00edtima. No entanto, \u00e9 absolutamente certo que a v\u00edtima sofreu perda de valor, caso ela perceba dano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0Como toda a\u00e7\u00e3o tem um custo, as opera\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de riqueza possuem um custo. Se o indiv\u00edduo souber, de antem\u00e3o e com certeza, que sua riqueza ser\u00e1 tomada, ele n\u00e3o se dar\u00e1 o custo de obt\u00ea-la. Ent\u00e3o, quanto maior for a possibilidade de perder a riqueza auferida, maior ser\u00e1 considerado o custo de obt\u00ea-la; e, quanto menor aquela, menor este.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ent\u00e3o, quanto maior for a garantia do direito de propriedade numa ordem social, maior ser\u00e1 o incentivo geral para realizar as opera\u00e7\u00f5es geradoras de riqueza. Dessa forma, uma sociedade baseada no direito absoluto de propriedade privada \u00e9 a que tem maior potencial conceb\u00edvel de gera\u00e7\u00e3o de riqueza, potencial esse que diminui \u00e0 medida que a sociedade se afasta desse ideal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Portanto, se houver justi\u00e7a objetiva, isto \u00e9, se houver conformidade com o dever-ser objetivo, haver\u00e1 a maior gera\u00e7\u00e3o de riqueza poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><pre><span style=\"color: #999999;\">*Artigo orixinal Instituto Rothbard Brasil<\/span><\/pre>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-16553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16553"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16553\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16555,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16553\/revisions\/16555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}