{"id":16365,"date":"2018-05-24T02:32:28","date_gmt":"2018-05-24T00:32:28","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=16365\/"},"modified":"2018-05-24T02:32:28","modified_gmt":"2018-05-24T00:32:28","slug":"anarquismo-razao-e-historia-joseph-sobran","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/anarquismo-razao-e-historia-joseph-sobran\/","title":{"rendered":"ANARQUISMO, RAZ\u00c3O E HIST\u00d3RIA. Joseph Sobran"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">ANARQUISMO, RAZ\u00c3O E HIST\u00d3RIA<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><em>\u00a0 \u00a0 &#8211;\u00a0Joseph Sobran &#8211;\u00a0 \u00a0<\/em><\/span><\/h4>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Pode algum estado ter um &#8220;direito de existir&#8221;? Essa pergunta \u00e9 feita repetidamente pelo professor Hans-Hermann Hoppe em seu livro Democracia: O Deus que Falhou. Sua resposta \u00e9 um retumbante N\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Hoppe \u00e9 apenas o mais recente pensador na tradi\u00e7\u00e3o do anarquismo filos\u00f3fico. Seu mentor, o falecido Murray Rothbard, era outro. Ambos devem suas ideias a um grande, por\u00e9m muito pouco conhecido, americano do s\u00e9culo XIX, Lysander Spooner.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A posi\u00e7\u00e3o de Spooner era simples. Existe uma lei moral, cuja ess\u00eancia aprendemos desde a nossa inf\u00e2ncia, mesmo antes de decorarmos a tabuada. Basicamente \u00e9 essa: n\u00e3o fa\u00e7a o mal a outras pessoas; n\u00e3o as agrida gratuitamente. O princ\u00edpio \u00e9 simples, ainda que suas aplica\u00e7\u00f5es possam ocasionalmente ser dif\u00edceis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Disso, raciocinou Spooner, conclui-se que nenhum estado pode existir. Ningu\u00e9m pode reivindicar o poder de alterar a lei moral; ningu\u00e9m pode reivindicar o monop\u00f3lio da autoridade para colocar essa lei moral em vigor. Por\u00e9m, o estado reivindica para si o direito de fazer ambos. Ele tenta alterar a lei moral por meio de legisla\u00e7\u00f5es, as quais ele (erroneamente) cr\u00ea serem capazes de aprimorar a moral e a \u00e9tica de seus s\u00faditos; e ele insiste que apenas ele, o estado, pode definir, criminalizar e punir os errados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Dentre os resultados dessas reivindica\u00e7\u00f5es do estado est\u00e3o as guerras, a tirania, a escravid\u00e3o e a tributa\u00e7\u00e3o. A sociedade humana estaria em melhor situa\u00e7\u00e3o sem o estado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O melhor argumento para uma sociedade sem estado (anarquia) foi o pr\u00f3prio s\u00e9culo XX. Um estudioso do assunto, o professor R.J. Rummel (clique no link para ver uma lista de seus trabalhos), calcula que os governos daquele s\u00e9culo assassinaram aproximadamente 177 milh\u00f5es de seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os \u2014 e esse n\u00famero sequer contabiliza as guerras internacionais. \u00c9 inconceb\u00edvel imaginar que criminosos privados pudessem matar esse mesmo tanto. Seria interessante saber tamb\u00e9m o quanto de riqueza os estados j\u00e1 confiscaram e desperdi\u00e7aram. O valor iria deixar o mundo apopl\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Por\u00e9m, sempre fica a pergunta: a sociedade poderia existir sem o estado? Seria o estado um mal necess\u00e1rio para a exist\u00eancia humana? Poderia ele at\u00e9 mesmo ser um bem positivo?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Arist\u00f3teles dizia que o homem \u00e9 um animal pol\u00edtico; por\u00e9m, sua concep\u00e7\u00e3o de comunidade, ou polis, era muito diferente da concep\u00e7\u00e3o do estado moderno. Ele imaginava que a comunidade deveria ser pequena o bastante para que todos os seus membros pudessem se conhecer uns aos outros. Isso se parece com algum estado que voc\u00ea conhe\u00e7a hoje?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Santo Agostinho via o estado, junto com a escravid\u00e3o, como uma consequ\u00eancia do Pecado Original. Embora jamais pudesse ser uma coisa boa, o estado era tido como algo inescap\u00e1vel para os homens, todos pecadores e desgra\u00e7ados (destitu\u00eddos da gra\u00e7a) por natureza. Mas devemos nos perguntar se \u00e9 preciso ser assim mesmo; na \u00e9poca de Agostinho, a escravid\u00e3o parecia ser um malef\u00edcio necess\u00e1rio da vida social, e um mundo sem escravid\u00e3o era dif\u00edcil de ser imaginado. Ningu\u00e9m da \u00e9poca poderia se lembrar de como era \u2014 e poucos podiam imaginar como seria \u2014 uma economia sem escravos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ser\u00e1 poss\u00edvel que n\u00f3s tenhamos, da mesma forma, assumido que o estado \u00e9 inevit\u00e1vel apenas porque j\u00e1 nos acostumamos a ele, e, por isso, dificilmente conseguimos imaginar um mundo sem estado? Assim como as tarefas dom\u00e9sticas antes executadas por escravos s\u00e3o hoje distribu\u00eddas distintamente entre homens livres, talvez, como argumentam os anarquistas, as fun\u00e7\u00f5es do estado poderiam tamb\u00e9m ser distribu\u00eddas entre ag\u00eancias volunt\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O fil\u00f3sofo renascentista Thomas Hobbes imaginava que a anarquia \u2014 o &#8220;estado da natureza&#8221; \u2014 seria &#8220;uma guerra de todos contra todos&#8221;, tornando a vida humana &#8220;solit\u00e1ria, pobre, desagrad\u00e1vel, brutal e curta&#8221;. Sua solu\u00e7\u00e3o para evitar tudo isso era o estado, o qual iria reprimir as intermin\u00e1veis batalhas entre os homens. Hobbes entretanto n\u00e3o anteviu que o pr\u00f3prio estado poderia agravar esses conflitos e fazer com que a ordem social fosse ainda mais miser\u00e1vel do que a anarquia jamais poderia lograr fazer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 John Locke, um quase contempor\u00e2neo de Hobbes, ofereceu uma alternativa mais atraente: o estado limitado, o qual teria o poder de assegurar ao homem seus direitos naturais, por\u00e9m sem ter o poder de viol\u00e1-los. Mas tal estado nunca existiu por muito tempo. Uma vez que o monop\u00f3lio do poder passa a existir, ele tende a se degenerar em tirania; os anarquistas argumentam que tal decl\u00ednio \u00e9 inevit\u00e1vel, pois a tirania \u00e9 inerente \u00e0 pr\u00f3pria natureza do estado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o grande conservador Edmund Burke (1729 &#8211; 1797) come\u00e7ou sua carreira com um tratado anarquista, argumentado que o estado era naturalmente e historicamente destrutivo para a sociedade humana, para a vida e para a liberdade. Mais tarde ele viria a dizer que sua inten\u00e7\u00e3o havia sido apenas fazer uma ironia, mas muitos ainda hoje duvidam disso. Seu argumento em favor da anarquia era poderoso demais, apaixonado demais e persuasivo demais para ser apenas uma piada. Tempos depois, j\u00e1 um pol\u00edtico profissional, Burke pareceu ter ficado de bem com o estado, acreditando que, n\u00e3o importa qu\u00e3o sangrenta sua origem, o estado sempre poderia ser domado e civilizado, como na Europa, pelo &#8220;esp\u00edrito de um cavalheiro e pelo esp\u00edrito da religi\u00e3o&#8221;. Por\u00e9m, ao mesmo tempo em que ele escrevia, a velha ordem que ele amava j\u00e1 estava se desintegrando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Qualquer que seja a verdade, o fato \u00e9 que os anarquistas t\u00eam a raz\u00e3o ao seu lado. E a hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-16365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16365"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16365\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16367,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16365\/revisions\/16367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}