{"id":16342,"date":"2018-05-17T03:38:33","date_gmt":"2018-05-17T01:38:33","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=16342\/"},"modified":"2018-05-17T03:38:33","modified_gmt":"2018-05-17T01:38:33","slug":"e-realmente-necessario-haver-um-estado-para-termos-seguranca-e-ordem-emilio-lacombi-lauss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/e-realmente-necessario-haver-um-estado-para-termos-seguranca-e-ordem-emilio-lacombi-lauss\/","title":{"rendered":"\u00c9 REALMENTE NECESS\u00c1RIO HAVER UM ESTADO PARA TERMOS SEGURAN\u00c7A E ORDEM? Em\u00edlio Lacombi Lauss"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">\u00c9 REALMENTE NECESS\u00c1RIO HAVER UM ESTADO PARA TERMOS SEGURAN\u00c7A E ORDEM?<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><em>\u00a0 \u00a0 &#8211;\u00a0Em\u00edlio Lacombi Lauss &#8211;\u00a0 \u00a0<\/em><\/span><\/h4>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 H\u00e1 aproximadamente 50.000 anos, um cl\u00e3 de fam\u00edlias foi pressionado pela escassez de bens e pela queda em seu padr\u00e3o de vida \u2014 resultante da superpopula\u00e7\u00e3o absoluta \u2014, e assim resolveu por uma op\u00e7\u00e3o pac\u00edfica: n\u00e3o guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Gra\u00e7as ao processo de produzir bens \u2014 em vez de simplesmente consumi-los \u2014, eles passaram a poupar e estocar esses bens para o consumo posterior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Contudo, dada a natureza do homem, outras tribos b\u00e1rbaras passaram a cobi\u00e7ar os bens acumulados desse cl\u00e3, iniciando-se a\u00ed uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O cl\u00e3 voltou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o inicial de pobreza e, com menos capital humano, demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Os b\u00e1rbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confort\u00e1veis se eles permitissem que o cl\u00e3 continuasse produzindo, agora por\u00e9m com a condi\u00e7\u00e3o de que os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo peri\u00f3dico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migra\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Essa \u00e9 a t\u00edpica hist\u00f3ria do surgimento de um estado: uma mil\u00edcia saqueadora conquista uma tribo produtiva na base da for\u00e7a e instaura ali m\u00e9todos de controle, de modo a poder viver parasiticamente da produ\u00e7\u00e3o de bens da tribo conquistada.<a style=\"color: #808080;\" href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Gra\u00e7as \u00e0 tend\u00eancia natural dos monopolistas de tirarem proveito de sua posi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 surpresa o est\u00e1gio a que chegamos. N\u00e3o s\u00f3 o tamanho absoluto dos saques cresceu \u2014 e vem crescendo \u2014, como tamb\u00e9m cresceu o dom\u00ednio territorial dos estados. Mais ainda: simultaneamente, toda uma m\u00e1quina de propaganda e doutrina\u00e7\u00e3o estatal foi montada, de modo que a amea\u00e7a de for\u00e7a \u00e9 usada apenas em \u00faltimo caso. Artistas, intelectuais e acad\u00eamicos fazem a linha de frente desse complexo processo de catequiza\u00e7\u00e3o estatal, tudo para esconder o \u00f3bvio: a natureza coercitiva e injusta do estado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Com efeito, as pessoas em geral condenam veementemente o roubo, mas n\u00e3o veem nenhuma contradi\u00e7\u00e3o entre essa postura e a exist\u00eancia dos impostos. Pior, muitos nem sabem que est\u00e3o sendo roubados.<a style=\"color: #808080;\" href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> Contudo, dentre as diferen\u00e7as mais dram\u00e1ticas do modelo inicial exposto ao modelo hoje adotado est\u00e1 o m\u00e9todo para a ascens\u00e3o da classe governante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Hoje, com a liberdade de entrada para os pol\u00edticos democr\u00e1ticos, temos uma tend\u00eancia \u00e0 elei\u00e7\u00e3o dos mais demagogos e mentirosos picaretas, aqueles que constantemente apelam para os mais b\u00e1sicos instintos. Ao contr\u00e1rio do que ocorre na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, a livre concorr\u00eancia para se eleger um governante torna ainda mais sofisticados os m\u00e9todos de espolia\u00e7\u00e3o. A democracia se resume a um &#8220;neg\u00f3cio&#8221; voltado para o roubo, a expropria\u00e7\u00e3o e a recepta\u00e7\u00e3o de bens roubados. Por conseguinte, ela n\u00e3o tem o efeito de melhorar algo para o bem, mas de aprimorar o mal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Nas palavras de Hans-Hermann Hoppe:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Consideremos os pol\u00edticos eleitos sob um sistema democr\u00e1tico. Estes pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o os propriet\u00e1rios do pa\u00eds da maneira como um monarca o \u00e9; eles s\u00e3o meros zeladores tempor\u00e1rios do pa\u00eds, por um per\u00edodo que pode durar quatro anos, oito ou mais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">E a fun\u00e7\u00e3o de um propriet\u00e1rio \u00e9 bastante diferente da fun\u00e7\u00e3o de um zelador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Imagine duas situa\u00e7\u00f5es distintas: na primeira, voc\u00ea se torna o propriet\u00e1rio de um im\u00f3vel. Voc\u00ea pode fazer o que quiser com ele. Voc\u00ea pode morar nele para sempre, voc\u00ea pode vend\u00ea-lo no mercado \u2014 o que significa que voc\u00ea tem de cuidar muito bem dele para que seu pre\u00e7o possa ser alto \u2014, ou voc\u00ea pode determinar quem ser\u00e1 seu herdeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Na segunda situa\u00e7\u00e3o, o propriet\u00e1rio desse im\u00f3vel escolhe voc\u00ea para ser o zelador dele por um per\u00edodo de quatro anos. Nesse caso, voc\u00ea n\u00e3o pode vend\u00ea-lo e n\u00e3o pode determinar quem ser\u00e1 seu herdeiro. Por\u00e9m, voc\u00ea ganha um incentivo novo: extrair o m\u00e1ximo poss\u00edvel de renda desse im\u00f3vel durante o per\u00edodo de tempo que lhe foi concedido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Isso implica que, na democracia, o zelador tempor\u00e1rio \u00e9 incentivado a exaurir o valor do capital agregado do pa\u00eds o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, pois, afinal, ele n\u00e3o tem de arcar com os custos desse consumo de capital. O im\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 dele. Ele n\u00e3o tem o que perder com seu uso irrefletido. Por outro lado, o monarca, como propriet\u00e1rio do im\u00f3vel, tem uma perspectiva de longo prazo muito maior que a do zelador. O monarca n\u00e3o vai querer exaurir o valor agregado de seu im\u00f3vel o mais rapidamente poss\u00edvel porque isso se refletiria em um menor pre\u00e7o do im\u00f3vel, o que significa que sua propriedade (o pa\u00eds) seria legada ao seu herdeiro a um valor menor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Portanto, o monarca, por ter uma perspectiva de longo prazo muito maior, tem o interesse de preservar \u2014 ou, se poss\u00edvel, aumentar \u2014 o valor do pa\u00eds, ao passo que um pol\u00edtico em uma democracia tem uma orienta\u00e7\u00e3o voltada para o curto prazo e quer maximizar sua renda o mais rapidamente poss\u00edvel. Ao fazer isso, ele inevitavelmente ir\u00e1 gerar perdas no valor do capital de todo o pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Apesar de o esquema de extors\u00e3o que presenciamos hoje ser mais sofisticado que os de 50.000 anos atr\u00e1s, a ess\u00eancia do estatismo permanece a mesma ao dividir a sociedade em dois grupos: de um lado, a classe de pessoas que obt\u00e9m sua renda e seus ativos produzindo algo que \u00e9 comprado voluntariamente e valorado apropriadamente pelos consumidores; de outro, a classe formada por aqueles que n\u00e3o produzem nada de valor, mas que vivem e enriquecem \u00e0 custa da renda e dos ativos das pessoas produtivas, os quais s\u00e3o violentamente confiscados via tributa\u00e7\u00e3o \u2014 o que significa dizer que todos os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e todos os benefici\u00e1rios de &#8220;programas sociais&#8221;, de subs\u00eddios e de privil\u00e9gios monopolistas (como os grandes empres\u00e1rios) pertencem a esta \u00faltima classe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Servi\u00e7os de seguran\u00e7a privados.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Desta forma, a pergunta frequente a respeito do receio da forma\u00e7\u00e3o, em uma sociedade sem estado, de mil\u00edcias criminosas e sua monopoliza\u00e7\u00e3o ou carteliza\u00e7\u00e3o adquire uma nova \u00f3tica: por que tal preocupa\u00e7\u00e3o, dado que j\u00e1 vivemos n\u00e3o s\u00f3 sob os mandos de uma delas, mas pior ainda, sob a sua vers\u00e3o mais sofisticada: o estado social-democrata?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Vamos, contudo, um pouco al\u00e9m e mostrar que o arranjo concorrencial de seguran\u00e7a e defesa tem bastante efic\u00e1cia para evitar esse fen\u00f4meno. Antes, por\u00e9m, se faz necess\u00e1rio analisar os pontos estatistas e como seria um arranjo totalmente volunt\u00e1rio de servi\u00e7os de seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Segundo Thomas Hobbes, gra\u00e7as \u00e0 natureza do homem, a tend\u00eancia da sociedade \u00e9 a de estar em guerras constantes. Da\u00ed conclui-se a necessidade de um arbitrador soberano a fim de mediar todos os conflitos, controlando e monopolizando os servi\u00e7os de seguran\u00e7a e justi\u00e7a. Para isso, essa parte independente, o estado, deveria ter tamb\u00e9m o monop\u00f3lio do territ\u00f3rio e do crime, em particular o direito de tributar. Mas a premissa hobbesiana \u00e9 falsa e contradit\u00f3ria \u2014 e, mesmo se n\u00e3o fosse, a conclus\u00e3o a que ele chega n\u00e3o faz sentido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Note tamb\u00e9m que o governante \u2014 seja ele um monarca, um ditador, um pol\u00edtico ou um senhor feudal \u2014 ter\u00e1 de ser um homem e, portanto, tamb\u00e9m ter\u00e1 inevitavelmente a &#8220;natureza perversa&#8221; prevista por Hobbes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 como saber a melhor resposta a essa quest\u00e3o se as pessoas n\u00e3o forem livres para escolher onde procurar servi\u00e7os de seguran\u00e7a \u2014 caso n\u00e3o queiram, elas mesmas, defender suas propriedades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se h\u00e1 um soberano coercitivo \u2014 isto \u00e9, que n\u00e3o tem aceita\u00e7\u00e3o un\u00e2nime \u2014, tem-se tamb\u00e9m outra contradi\u00e7\u00e3o: ele ter\u00e1 de decidir unilateralmente o pre\u00e7o de sua prote\u00e7\u00e3o, via impostos. Consequentemente, ele pr\u00f3prio j\u00e1 inicia todo o processo de agress\u00e3o, coagindo seus s\u00faditos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A ci\u00eancia econ\u00f4mica j\u00e1 mostrou que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio pressupor empatia entre os indiv\u00edduos para que haja intera\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na sociedade. Ao contr\u00e1rio: os indiv\u00edduos s\u00e3o movidos pelo interesse pr\u00f3prio, e \u00e9 por causa de seu interesse pr\u00f3prio que as pessoas cooperam, uma vez que elas s\u00e3o capazes de reconhecer que a divis\u00e3o do trabalho \u00e9 mais eficiente para a gera\u00e7\u00e3o de prosperidade do que o isolamento auto-suficiente ou a guerra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 (A empatia \u2014 entendida como compartilhar um objetivo em comum \u2014 \u00e9 bastante limitada para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas de mercado e praticamente se limita ao \u00e2mbito familiar.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Assim, consideremos um objetivo complexo, como a produ\u00e7\u00e3o de uma camiseta. Seu processo produtivo envolve in\u00fameras etapas, como: plantio e colheita de algod\u00e3o, fia\u00e7\u00e3o, tricotagem, tingimento, acabamento e confec\u00e7\u00e3o \u2014 tudo isso sem contar os processos de aquisi\u00e7\u00e3o de todo maquin\u00e1rio para fazer esses procedimentos. Naturalmente, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel esperar que todas as pessoas envolvidas na fabrica\u00e7\u00e3o de uma camiseta conhe\u00e7am e tenham simpatia pelo consumidor final. Mais ainda, nem mesmo as pessoas direta e indiretamente envolvidas precisam se conhecer: basta reunir recursos e trabalho, e entrar em uma cadeia de coopera\u00e7\u00e3o. A divis\u00e3o do trabalho \u00e9 um fen\u00f4meno natural dentro da civiliza\u00e7\u00e3o; sem ela nos ver\u00edamos imediatamente em pleno estado de pobreza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 J\u00e1 citamos acima duas maneiras de se adquirir bens e servi\u00e7os em sociedade: pela empatia e pelo mercado. A terceira e \u00faltima \u00e9 a il\u00edcita, consistindo de meios violentos: o saque, a espolia\u00e7\u00e3o e a escravid\u00e3o. Vimos que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio admitir a exist\u00eancia de coisas como empatia ou amor entre as pessoas para explicar a coopera\u00e7\u00e3o em sociedade. Vamos al\u00e9m e mostrar que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel uma coopera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos servi\u00e7os de defesa contra a alternativa agressiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como uma sociedade livre se organizaria espontaneamente para se defender de agress\u00f5es? A natureza do servi\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o \u00e9, essencialmente, a de um seguro, pois qualquer gasto em defesa de uma propriedade representa uma esp\u00e9cie de ap\u00f3lice de seguro. Embora seja poss\u00edvel fazer seguro contra ataques n\u00e3o-provocados \u2014 isto \u00e9, acidentais \u2014, vamos nos concentrar aqui naqueles seguros feitos contra a\u00e7\u00f5es feitas efetivamente por um agressor intencional, que objetivamente opta por agredir uma propriedade honestamente adquirida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para come\u00e7ar, qualquer criminoso conhecido teria s\u00e9rias dificuldades em contratar servi\u00e7os de seguradoras, j\u00e1 que para isso seria requerido que ele previamente tenha se comportado de maneira n\u00e3o-agressiva, o que leva a um natural boicote social aos agressores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 J\u00e1 a indeniza\u00e7\u00e3o por parte da seguradora quando um cliente se torna v\u00edtima de um crime deve ser de tal forma a incentiv\u00e1-la a: (1) evitar ao m\u00e1ximo crimes contra seus clientes, fornecendo sofisticados meios de prote\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de crimes; e, caso n\u00e3o consiga efetuar essa preven\u00e7\u00e3o, (2) capturar o criminoso para puni-lo a fim de ressarcir a v\u00edtima e pagar os custos do servi\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A livre concorr\u00eancia entre as seguradoras tende a descentralizar o setor, diminuindo os riscos de abusos e corrup\u00e7\u00e3o, e levando a uma queda de pre\u00e7os por valor de propriedade segurada. Entre outros fatores positivos, pode-se destacar:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Quanto maior o n\u00famero de pessoas seguradas \u2014 e, em uma economia moderna, a maioria das pessoas deseja mais do que autodefesa para sua prote\u00e7\u00e3o \u2014, maior seria a press\u00e3o econ\u00f4mica sobre os n\u00e3o-segurados remanescentes para adotar padr\u00f5es id\u00eanticos ou semelhantes de conduta social n\u00e3o-agressiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ademais, como resultado da concorr\u00eancia entre seguradoras por clientes volunt\u00e1rios, adviria uma tend\u00eancia de queda de pre\u00e7os por valor de propriedade segurada. Ao mesmo tempo, surgiria uma tend\u00eancia \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o do direito real e contratual. Contratos de prote\u00e7\u00e3o com descri\u00e7\u00f5es padronizadas de propriedades e servi\u00e7os surgiriam; e, da coopera\u00e7\u00e3o est\u00e1vel entre diversas seguradoras em procedimentos de arbitragem, resultaria uma tend\u00eancia \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o das regras de processo, de provas e de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos (incluindo compensa\u00e7\u00e3o, restitui\u00e7\u00e3o, puni\u00e7\u00e3o e retalia\u00e7\u00e3o), levando a uma seguran\u00e7a jur\u00eddica cada vez maior e mais firme.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Todos, por adquirirem seguro de prote\u00e7\u00e3o, estariam unidos a um empreendimento concorrencial em escala mundial na luta pela minimiza\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o (e, assim, pela maximiza\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o defensiva). Todos os conflitos e pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importam onde e por quem ou contra quem, recairiam na jurisdi\u00e7\u00e3o de apenas uma seguradora \u2014 ou de um conjunto espec\u00edfico de seguradoras \u2014 e de seus procedimentos de arbitragem estabelecidos em acordo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como exemplos de sociedades antigas que presenciaram servi\u00e7os de seguran\u00e7a 100% volunt\u00e1rios, destaque para dois casos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 No primeiro, a Isl\u00e2ndia Medieval \u2014 de aproximadamente 860 a 1280 d.C. \u2014, onde a v\u00edtima de uma agress\u00e3o era respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o legal, sozinha ou com o aux\u00edlio de outras pessoas \u2014 e, neste \u00faltimo caso, ela poderia procurar por pessoas mais poderosas, chefes de cl\u00e3s, por exemplo, e repartir o ressarcimento com elas. O ressarcimento por um dano causado era considerado um bem transfer\u00edvel como qualquer outro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se, por exemplo, voc\u00ea houvesse me causado algum dano, e eu me considerasse fraco demais para for\u00e7\u00e1-lo a me ressarcir, eu poderia vender ou simplesmente dar o poder de cobrar o ressarcimento a algu\u00e9m mais forte. A partir da\u00ed, seria do interesse dessa pessoa cobrar o ressarcimento, seja por seu valor econ\u00f4mico, seja pela possibilidade de estabelecer uma reputa\u00e7\u00e3o como &#8220;cobrador&#8221;. (Para mais detalhes sobre a Isl\u00e2ndia Medieval, veja a descri\u00e7\u00e3o de David Friedman.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O segundo exemplo \u00e9 o da pequena rep\u00fablica de Cospaia \u2014 que, por aproximadamente quatrocentos anos, prosperou na It\u00e1lia central sem governo algum. L\u00e1, conflitos eram resolvidos pelos chefes das fam\u00edlias ou pelo padre local. Os \u00e1rbitros eram escolhidos pela sua integridade e n\u00e3o por suas conex\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o alguma de que Cospaia era um lugar violento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Com efeito, n\u00e3o deve haver absolutamente nenhuma d\u00favida sobre a efic\u00e1cia de um sistema de prote\u00e7\u00e3o baseado na disposi\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam de se defenderem. Foi assim que a lei e a ordem foram mantidas pela maior parte da hist\u00f3ria da humanidade. \u00c9 gra\u00e7as a s\u00e9culos de doutrina\u00e7\u00e3o e ofusca\u00e7\u00e3o estatista que as pessoas deixaram de perceber essa obviedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Apesar dos avan\u00e7as do estatismo, ainda hoje temos in\u00fameras evid\u00eancias emp\u00edricas da superioridade de um arranjo privado de seguran\u00e7a. Com efeito, apenas o fato de esse arranjo ser largamente utilizado em todo o mundo \u2014 inclusive por pol\u00edticos \u2014 j\u00e1 \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o disso. Dois casos recentes de uso de servi\u00e7os de defesa privados se destacam nos EUA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O primeiro ocorre em Atlantic Station, Georgia: uma cidade privada dentro de outra cidade. Trata-se de uma cidade constru\u00edda com capital privado no lugar da Usina Sider\u00fargica de Atlanta, fechada na d\u00e9cada de 1970. Segundo relatos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 As ruas s\u00e3o abertas ao p\u00fablico, mas tamb\u00e9m s\u00e3o propriedades privadas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os pr\u00f3prios policiais se preocupam com o bem-estar da comunidade e daqueles que a frequentam. S\u00e3o empregados de um sistema de livre iniciativa \u2014 ou, mais precisamente, da Chesley Brown, que prov\u00ea esse servi\u00e7o de maneira terceirizada para a Atlantic Station. [\u2026] Os resultados do policiamento s\u00e3o talvez a parte mais interessante, dadas as pol\u00eamicas atuais no tocante a abuso policial. Quando a pol\u00edcia \u00e9 parte do mercado, o lema &#8216;servir e proteger&#8217; passa a ser levado de maneira literal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A comunidade de Atlantic Station tem regras privadas severas como n\u00e3o fumar em ambientes abertos e n\u00e3o portar armas, e as faz cumprir com uma seguran\u00e7a 100% privada de forma pac\u00edfica e funcional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O outro caso ocorreu no Texas, na comunidade de Sharpstown, situada no sudeste da cidade de Houston. Em 2012, a comunidade, representada pela Associa\u00e7\u00e3o C\u00edvica de Sharpstown (no original Sharpstown Civic Association) resolveu demitir todo seu departamento p\u00fablico de policiamento e contratar a empresa privada de patrulhamento S.E.A.L. Security Solutions. Para quem j\u00e1 est\u00e1 acostumado com o b\u00e1sico de ci\u00eancia econ\u00f4mica o resultado n\u00e3o deve surpreender: em apenas 20 meses a taxa de crimes registrados na comunidade caiu 61%, segundo James Alexandre, o diretor de opera\u00e7\u00f5es da S.E.A.L.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Dada uma breve descri\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias privadas, bem como exemplos de algumas aplica\u00e7\u00f5es diversas em contextos hist\u00f3ricos distintos, a pergunta natural que vem \u00e0 mente \u00e9: seria esse sistema est\u00e1vel caso seja maci\u00e7amente acolhido hoje em dia? Ou, dito de outra forma, o que impediria as principais ag\u00eancias de seguran\u00e7a de se unirem para dominar coercitivamente territ\u00f3rios e assim formar um novo estado?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A resposta \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 absolutamente garantia alguma de que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. Na verdade, hoje em dia tamb\u00e9m n\u00e3o temos tal garantia e, com efeito, a amea\u00e7a globalista est\u00e1 cada vez maior. Historicamente, vemos in\u00fameras agress\u00f5es arbitr\u00e1rias feitas por estados mais belicamente poderosos sobre mais fracos: al\u00e9m das famosas guerras mundiais e os in\u00fameros casos que ocorreram ao longo do s\u00e9culo XX no Oriente M\u00e9dio, podemos citar os casos mais recentes da invas\u00e3o feita pela R\u00fassia em territ\u00f3rio ucraniano e da subjuga\u00e7\u00e3o que o governo Chin\u00eas vem fazendo com o povo tibetano. Isso sem contar as in\u00fameras amea\u00e7as at\u00f4micas que tivemos e que hoje estamos presenciando por parte da tens\u00e3o Israel x Ir\u00e3.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Outro ponto inerente \u00e0 instabilidade gerada pelo monop\u00f3lio estatal da seguran\u00e7a e da justi\u00e7a \u00e9 o constante risco de abuso de poder por parte das autoridades, o que pode gerar desde uma pris\u00e3o injusta at\u00e9 um golpe militar violento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Podemos, contudo, tecer alguns pontos a respeito do arranjo privado, os quais nos levam a crer que tal cen\u00e1rio ser\u00e1 bem mais harm\u00f4nico e satisfat\u00f3rio que o estatista. Em primeiro lugar, uma vez assegurado o direito absoluto sobre a propriedade, nada impedir\u00e1 os cidad\u00e3os de se armarem em seus territ\u00f3rios. Estat\u00edsticas mostram que civiliza\u00e7\u00f5es mais armadas t\u00eam menores taxas de criminalidade: eis um dos principais motivos pr\u00e1ticos de se defender o armamento civil. Como bem lembrou Benjamin Franklin, &#8220;quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidir\u00e3o de quem ser\u00e3o as outras propriedades&#8221;. A pr\u00f3pria descentraliza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e do armamento j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, uma medida bastante eficaz de seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Al\u00e9m disso, diferentemente do caso estatal, havendo livre entrada no setor de seguran\u00e7a, podemos trocar de ag\u00eancias sem precisar nos mudar de territ\u00f3rio, tornando mais dif\u00edcil o abuso de poder por parte das seguradoras. Mais ainda, quanto mais ag\u00eancias existirem, menor ser\u00e1 esse risco. E somente o livre mercado dar\u00e1 garantias que isso ocorra da forma mais eficiente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Finalmente, uma ag\u00eancia que soluciona suas disputas concorrenciais na base da for\u00e7a ter\u00e1 s\u00e9rios problemas financeiros, n\u00e3o importa quantas batalhas ven\u00e7a. Batalhas s\u00e3o caras, al\u00e9m de perigosas para os clientes cujos territ\u00f3rios de morada se tornassem zonas de guerra. Os clientes v\u00e3o procurar um protetor menos audacioso e, sem eles, o dinheiro para financiar as guerras cessar\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Um argumento comum feito por economistas ortodoxos em defesa do monop\u00f3lio estatal da seguran\u00e7a e da justi\u00e7a diz que o mercado n\u00e3o poderia proporcionar uma divis\u00e3o de trabalho na produ\u00e7\u00e3o da lei, pois a aplica\u00e7\u00e3o da lei, normalmente, requer o uso de for\u00e7a f\u00edsica; e se apenas alguns membros da sociedade est\u00e3o se especializando no uso de for\u00e7a f\u00edsica, ent\u00e3o todos os outros na sociedade ficar\u00e3o \u00e0 merc\u00ea. Por\u00e9m, se esta \u00e9 uma obje\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de escolha, por que n\u00e3o seria tamb\u00e9m uma obje\u00e7\u00e3o ainda mais forte ao estado, j\u00e1 que o estado \u2014 ao contr\u00e1rio de uma ag\u00eancia de seguran\u00e7a sob um regime de livre concorr\u00eancia \u2014 est\u00e1 desprovido de quaisquer rivais e, logo, est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o ainda melhor para abusar do seu poder?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como ressaltou Gustave de Molinari, as leis econ\u00f4micas s\u00e3o universais, n\u00e3o dando brechas para exce\u00e7\u00f5es:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Eis uma verdade bem estabelecida em pol\u00edtica econ\u00f4mica: em todos os casos em que se quer prover as necessidades tang\u00edveis ou intang\u00edveis do consumidor da melhor maneira poss\u00edvel, o trabalho e o com\u00e9rcio devem permanecer livres, pois a liberdade de trabalho e com\u00e9rcio tem como resultado permanente e necess\u00e1rio a redu\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do pre\u00e7o e o aumento da qualidade. Outra verdade: o interesse do consumidor acerca de qualquer coisa deve sempre prevalecer sobre os interesses do produtor. No entanto, ao perseguirmos estes princ\u00edpios, chegamos a esta rigorosa conclus\u00e3o: a produ\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a deve, no interesse dos consumidores deste bem intang\u00edvel, permanecer sujeita \u00e0 lei da livre concorr\u00eancia.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0Disto segue que nenhum governo deveria ter o direito de evitar um outro governo de entrar em concorr\u00eancia com ele, ou de requerer que os consumidores da seguran\u00e7a recorram exclusivamente a ele por este bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Esse cl\u00e1ssico argumento de Molinari pode ser resumido na forma do seguinte silogismo:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Todos os bens e servi\u00e7os s\u00e3o mais eficientemente fornecidos sob regime de livre concorr\u00eancia do que sob um arranjo inerente comunista, com monop\u00f3lio estatal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Lei e ordem s\u00e3o bens e servi\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Logo, lei e ordem s\u00e3o mais eficientemente fornecidos sob livre concorr\u00eancia do que sob monop\u00f3lio estatal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Conclus\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Em geral, economistas mais liberais vislumbram como alternativa \u00e0 livre concorr\u00eancia na seguran\u00e7a uma utopia minarquista (ou um estado liberal limitado) em que as a\u00e7\u00f5es estatais est\u00e3o &#8220;rigidamente definidas, delimitadas e circunscritas,&#8221; enquanto o pr\u00f3prio governo seria uma esp\u00e9cie de &#8220;rob\u00f4 impessoal&#8221;, operando livre de qualquer &#8220;toque de arbitrariedade e capricho&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Isso pode parecer razo\u00e1vel \u00e0 primeira vista, mas, afinal, o estado \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de natureza definitiva, e as a\u00e7\u00f5es esperadas disso s\u00e3o determinadas pela sua natureza e n\u00e3o pelos nossos desejos e fantasias. Ent\u00e3o, a verdadeira quest\u00e3o \u00e9 se \u00e9 realista esperar este tipo de opera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e imparcial de um monop\u00f3lio centralizado. E, com efeito, n\u00e3o \u00e9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O poder corrompe, pois atrai o corrupt\u00edvel. E o sistema de incentivos gerados por um monop\u00f3lio estatal \u00e9 verdadeiramente perverso. A hist\u00f3ria est\u00e1 a\u00ed para mostrar que, como tend\u00eancia geral, a liberdade humana \u00e9 cada vez mais sufocada pela amea\u00e7a estatista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #999999;\">[i] Para mais detalhes sobre o surgimento do estado veja o livro de Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #999999;\">[ii] Segundo essa reportagem da UOL, no Brasil, 1 em cada 4 brasileiros n\u00e3o sabe que paga impostos, nome dado para um roubo em larga escala, como \u00e9 mostrado nesse texto.<\/span><\/p>\n<pre><span style=\"color: #999999;\">*Artigo cedido polo Instituto Mises Brasil.<\/span><\/pre>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-16342","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16342"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16344,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16342\/revisions\/16344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}