{"id":16219,"date":"2018-04-14T01:05:28","date_gmt":"2018-04-13T23:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=16219\/"},"modified":"2018-04-14T01:31:28","modified_gmt":"2018-04-13T23:31:28","slug":"o-conceito-de-neoliberalismo-thiago-beserra-gomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/o-conceito-de-neoliberalismo-thiago-beserra-gomes\/","title":{"rendered":"O CONCEITO DE NEOLIBERALISMO. Thiago Beserra Gomes"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">O CONCEITO DE NEOLIBERALISMO<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><em><span style=\"color: #428fc9;\">\u00a0 \u00a0 &#8211;\u00a0Thiago Beserra Gomes &#8211;\u00a0\u00a0<\/span><\/em><\/h4>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Um conceito marxista<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Neoliberalismo sempre foi um conceito confuso. Em quase todas as situa\u00e7\u00f5es \u00e9 citado de forma negativa: trata-se de um mau sistema. Isso ocorre porque o neoliberalismo \u00e9 visto como representa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica m\u00e1xima do capitalismo. E o sistema capitalista \u00e9 dividido em duas classes: capitalistas e explorados. Os primeiros exploram os segundos atrav\u00e9s da mais-valia. Essa linha de pensamento \u00e9 tipicamente marxista. O neoliberalismo, ent\u00e3o, seria sin\u00f4nimo de livre mercado: desmantelamento do Estado de Bem-Estar Social, desregulamenta\u00e7\u00e3o de mercados, prote\u00e7\u00e3o da propriedade capitalista, entre outras a\u00e7\u00f5es. E o governo cuidando das pessoas \u00e9 uma forma de amenizar o mal que o sistema capitalista causa nas pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se aceitarmos tais termos, estamos caindo num debate claramente marxista. E aceitar o marxismo \u00e9 cair numa discuss\u00e3o apenas ideol\u00f3gica. Apesar de j\u00e1 estar provado por v\u00e1rios autores que existe uma ci\u00eancia positiva e outra normativa, os marxistas insistem em atribuir conte\u00fado ideol\u00f3gico a tudo. \u00c9 f\u00e1cil entender isso, porque o pr\u00f3prio marxismo nasceu assim. Caso os marxistas rejeitassem a ideologia em outras escolas econ\u00f4micas, estariam negando sua pr\u00f3pria base. Ent\u00e3o esse caminho \u00e9 imposs\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek provaram que a economia planificada, ou marxismo, \u00e9 imposs\u00edvel. Mises vai al\u00e9m e diz que Karl Marx confundiu classe com casta. Para Marx, a sociedade \u00e9 composta por classes separadas, e as que est\u00e3o no poder n\u00e3o permitem mobilidade. Mises demonstrou que no capitalismo n\u00e3o existem castas econ\u00f4micas: os que conseguirem atingir a demanda das massas ganhar\u00e3o dinheiro, n\u00e3o importando sua origem ou escolhas pessoais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Na pr\u00e1tica, nenhuma das profecias de Marx se cumpriu: a revolu\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses capitalistas, quedas na taxa de lucro, aumento da classe oper\u00e1ria etc. Mesmo assim, os marxistas criaram desculpas para tais falhas, como, por exemplo, uma teoria do imperialismo. O fil\u00f3sofo Imre Lakatos chamou o marxismo de &#8216;programa degenerativo&#8217; justamente porque, no lugar de abandonar as bases erradas da teoria, tentou proteger as ideias originais de Marx. Todavia, n\u00e3o \u00e9 inten\u00e7\u00e3o deste artigo se estender sobre esse debate. Apenas gostaria de deixar claro que o neoliberalismo \u00e9 um conceito tipicamente marxista. Quaisquer autores que se pegue para ler sobre esse conceito, seja Perry Anderson, At\u00edlio B\u00f3ron etc, no final se chega \u00e0 mesma conclus\u00e3o: o neoliberalismo \u00e9 o representante ideol\u00f3gico m\u00e1ximo da economia de mercado e dos capitalistas e seu programa pol\u00edtico \u00e9 a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 O programa pol\u00edtico: Consenso de Washington.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Em 1990, John Williamson publica \u201cWhat Washington Means by Policy Reform\u201d, artigo que daria origem ao Consenso de Washington. O artigo cont\u00e9m dez propostas para a Am\u00e9rica Latina que tinham dado certo em outros pa\u00edses. As propostas consistiam numa tentativa de moderniza\u00e7\u00e3o do estado visando substituir o de Bem-Estar. Defendia-se o equil\u00edbrio fiscal e a prioridade na efici\u00eancia nos gastos p\u00fablicos. Ou seja, seria saud\u00e1vel se os pa\u00edses n\u00e3o mais incorressem em altos d\u00e9ficits. Tamb\u00e9m era preciso visar \u00e0 efici\u00eancia dos gastos p\u00fablicos, n\u00e3o necessariamente diminuindo-os, mas criando uma m\u00e1quina burocr\u00e1tica mais limpa e que atendesse aos anseios dos cidad\u00e3os. Uma reforma tribut\u00e1ria tamb\u00e9m seria necess\u00e1ria, pois altos impostos indiretos acabam pesando mais no bolso do pobre, e a base do imposto de renda deveria ser ampla com al\u00edquotas marginais reduzidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 As taxas de juros e de c\u00e2mbio deveriam, segundo o CW, ser estabelecidas pelo mercado, e n\u00e3o controlada pelo governo. Os direitos de propriedade tamb\u00e9m deveriam ser amplamente defendidos pelos governos, pois sua fraqueza jur\u00eddica afasta investimentos. Na Am\u00e9rica Latina da d\u00e9cada de 1980, os setores da economia eram amplamente cartelizados e existiam diversas estatais. Assim, o CW prop\u00f4s que se privatizassem estatais ineficientes (n\u00e3o necessariamente todas) e que se desregulamentassem os setores privilegiados, pois tal estado inibia a concorr\u00eancia. Para finalizar, o pa\u00eds deveria abrir seu mercado para o Investimento Estrangeiro Direto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Esse \u00e9 um resumo das propostas do CW. Para mais detalhes, ver o artigo do Paulo Roberto de Almeida, O Mito do Consenso de Washington, e o pr\u00f3prio artigo do Williamson.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 O que \u00e9 livre mercado?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Notamos acima que o Consenso de Washington com certeza defendia um programa com mais liberdade econ\u00f4mica que o velho Estado de Bem-Estar. Contudo, concluir que por isso o CW \u00e9 pr\u00f3-mercado \u00e9 um equ\u00edvoco. Na verdade, o CW prop\u00f5e melhorar o arranjo institucional do estado. Ou seja, \u00e9 um modelo que defende uma melhor efici\u00eancia do governo nos assuntos econ\u00f4micos. Mesmo o Estado de Bem-Estar considerava a economia de mercado importante, mas bem menos do que o modelo do CW.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para clarificar o assunto para o leitor, vamos utilizar a distin\u00e7\u00e3o defendida pelo economista F\u00e1bio Barbieri. Para o autor brasileiro, as economias s\u00e3o mistas, possuindo caracter\u00edsticas de economia de mercado e de planifica\u00e7\u00e3o. Hong Kong \u00e9 considerada a economia mais livre do mundo, mas n\u00e3o se pode dizer que l\u00e1 exista uma economia de mercado plena. H\u00e1 um grau de planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica por parte do governo, mesmo que m\u00ednimo. Um leitor sagaz j\u00e1 pode imaginar ent\u00e3o que algumas linhas de pensamento econ\u00f4mico acham que certo grau de planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar a efici\u00eancia econ\u00f4mica. \u00c9 o que acontece, por exemplo, com a Escola de Chicago, que defende a exist\u00eancia de uma entidade monopolista da moeda, apesar de defender tamb\u00e9m v\u00e1rias desregulamenta\u00e7\u00f5es. Na Escola Austr\u00edaca se encontra economistas que defendem a economia de mercado plena, como Murray Rothbard, e outros que defendem uma pequena interven\u00e7\u00e3o governamental, como Ludwig von Mises. Para Rothbard, o estado \u00e9 desnecess\u00e1rio e sempre causa distor\u00e7\u00f5es nas a\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos; ent\u00e3o a m\u00e1xima efici\u00eancia econ\u00f4mica s\u00f3 \u00e9 alcan\u00e7ada com um arranjo institucional apenas com agentes privados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Outros economistas defendem a total planifica\u00e7\u00e3o da economia, que \u00e9 o caso dos socialistas. Sendo que qualquer arranjo de mercado \u00e9 ruim, o governo deve controlar toda a economia. Tal pol\u00edtica \u00e9 t\u00edpica de regimes socialistas, como a Alemanha Nazista e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Mas, no geral, os economistas atuais defendem a economia mista. E o Consenso de Washington \u00e9 apenas uma reforma das interven\u00e7\u00f5es do governo, buscando mais efici\u00eancia, e abertura controlada para o com\u00e9rcio internacional. Se for perguntado a um socialista o que ele acha das propostas do CW, provavelmente ouviremos que tem &#8220;mercado demais&#8221;. Se for perguntado a um rothbardiano, provavelmente ouviremos que h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o demais. Ou seja, o CW n\u00e3o defende planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e tampouco economia de mercado, \u00e9 apenas reforma do velho intervencionismo estatal. \u00c9 o que chamamos de Novo Intervencionismo (ou neo-intervencionismo). Se defendesse o livre mercado ou a economia de mercado, o chamado &#8220;neoliberalismo&#8221; defenderia apenas solu\u00e7\u00f5es de mercado (ou seja, com institui\u00e7\u00f5es e agentes privados), sem nenhum tipo de arranjo governamental.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Debate te\u00f3rico: uma refuta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A sess\u00e3o anterior serviu para mostrar que as propostas ditas neoliberais do CW s\u00e3o na verdade neo-intervencionistas. Nesta, mostraremos como as propostas deveriam ser caso quisessem defender a economia de mercado. A primeira parte das propostas trata da busca de efici\u00eancia do estado atrav\u00e9s do equil\u00edbrio fiscal, melhor gasto p\u00fablico e reforma tribut\u00e1ria. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a parte mais f\u00e1cil de esclarecer: s\u00e3o todas medidas de arranjo governamental, ou seja, de controle de mercado. Ent\u00e3o, essas propostas v\u00e3o contra a economia de mercado, n\u00e3o a favor. O CW tamb\u00e9m defende reformas t\u00edmidas sobre a privatiza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o, pois uma vis\u00e3o de mercado defenderia simplesmente a extin\u00e7\u00e3o das estatais e todo tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o governamental.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A taxa de juros e de c\u00e2mbio, a princ\u00edpio, parece ser dois pontos de paz entre a economia de mercado e o CW. Entretanto, um olhar mais cuidadoso nos trabalhos de Mises e Hayek revela o que seria um sistema financeiro de mercado: bancos privados emitindo moeda pr\u00f3pria. Ou seja, num sistema financeiro de mercado n\u00e3o existiria banco central. Mais uma vez, o CW n\u00e3o defende a economia de mercado. A defesa dos direitos de propriedade e a abertura aos investimentos estrangeiros parecem ser o \u00fanico ponto de comum acordo entre o CW e uma economia de mercado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O debate aqui n\u00e3o \u00e9 tentar descobrir se um arranjo s\u00f3 com institui\u00e7\u00f5es de mercado \u00e9 bom ou poss\u00edvel, e sim mostrar que o CW n\u00e3o defende tal id\u00e9ia. O correto significado dos conceitos \u00e9 um pressuposto importante para qualquer debate e, infelizmente, na atualidade se tem usado o termo &#8220;neoliberalismo&#8221; associado ao livre mercado com intensa irresponsabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Evid\u00eancia emp\u00edrica: uma refuta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Devo confessar para os leitores que tenho pena de Fernando Henrique Cardoso. Apesar de ele ter se esfor\u00e7ado ao m\u00e1ximo para interferir no mercado, n\u00e3o foi o bastante: acabou sendo conhecido como pr\u00f3-mercado (e como se sabe, isso necessariamente quer dizer uma coisa ruim no Brasil). E o que fez FHC para merecer tais t\u00edtulos?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como se sabe, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, era lugar-comum que o Estado de Bem-Estar Social era superior. Nessa d\u00e9cada, essa id\u00e9ia (na pol\u00edtica pr\u00e1tica, na te\u00f3rica j\u00e1 era questionada) come\u00e7ou a perder for\u00e7a e l\u00edderes como Reagan e Thatcher desregulamentaram alguns mercados em seus pa\u00edses. Na d\u00e9cada de 1990, no Brasil, Collor iniciou o programa de desestatiza\u00e7\u00e3o, onde, entre outras coisas, algumas empresas estatais seriam passadas para a iniciativa privada. Inclusive, Collor tamb\u00e9m \u00e9 acusado de neoliberal, apesar de ter confiscado a poupan\u00e7a de toda a na\u00e7\u00e3o. Algumas outras inova\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram trazidas: como a tentativa de se alcan\u00e7ar um equil\u00edbrio fiscal, o estabelecimento de metas inflacion\u00e1rias, independ\u00eancia do banco central, abertura do mercado financeiro etc. Com certeza foi uma mudan\u00e7a forte na pol\u00edtica econ\u00f4mica. E quem mais a aprofundou foi FHC. E por isso ele \u00e9 acusado de neoliberal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Aqui entra a parte mais interessante: o presidente-sociol\u00f3go aumentou impostos, gastos p\u00fablicos, criou 10 ag\u00eancias reguladoras, privatizou 8 empresas em um processo que contou com a participa\u00e7\u00e3o do estado (!) e de grupos com influ\u00eancia pol\u00edtica (fundos de pens\u00e3o), e no come\u00e7o do governo, fixou o c\u00e2mbio. Mesmo assim, \u00e9 tachado de pr\u00f3-mercado. Tem mais: segundo o \u00edndice de liberdade do Fraser Institute, as leis de propriedade privada pioraram no Brasil na \u00e9poca de FHC. A \u00e1rea que mais teve melhora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desregulamenta\u00e7\u00e3o foi o mercado financeiro. Durante a d\u00e9cada de 90 o Brasil se tornou mais livre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada de 80. Contudo, os \u00edndices de liberdade (tanto o do Fraser Institute como o da Heritage Foundation) mostram que o pa\u00eds passou longe de alguma reforma pelo livre mercado, se mantendo numa das economias mais intervencionistas do mundo. N\u00e3o \u00e9 preciso estudar o \u00edndice de todos os anos do Brasil (como o autor do presente artigo fez), basta apenas ler os feitos de FHC no par\u00e1grafo anterior e raciocinar se isso tem alguma rela\u00e7\u00e3o com o livre mercado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ent\u00e3o, dizer que FHC foi pr\u00f3-mercado por privatizar algumas estatais \u00e9 puro desconhecimento dos dados. \u00c9 falta de estudo e necessidade de repetir jarg\u00f5es da esquerda. O que houve na verdade foi uma mudan\u00e7a no modelo de interven\u00e7\u00e3o \u2014 adotando-se um mais leve, na verdade. E isso irritou os pensadores radicais pr\u00f3-estado. E, para eles, a sa\u00edda foi acusar os neo-intervencionistas (como Collor e FHC) de serem entreguistas. \u00c9 isso o que acontece quando se mistura o debate acad\u00eamico com o debate pol\u00edtico: fal\u00e1cias, mentiras, manipula\u00e7\u00f5es e jogos sujos. Essa \u00e9 a ess\u00eancia da pol\u00edtica, e ela contaminou o debate nas academias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Novo Intervencionismo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O leitor pode indagar que no artigo apenas tentou-se demonstrar que o termo neo-intervencionismo \u00e9 mais correto que neoliberalismo. Todavia, a quest\u00e3o vai al\u00e9m. Quando se associa o liberalismo de alguma forma \u00e0s propostas do CW ou do livre mercado, est\u00e1 se cometendo uma fal\u00e1cia, pois de nenhuma forma as ditas propostas (no conjunto, como vimos) neoliberais representam propostas de uma economia de mercado. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 mais profunda do que a pura lingu\u00edstica. \u00c9 quest\u00e3o de n\u00e3o cometer erros conceituais na investiga\u00e7\u00e3o sobre o grau de interven\u00e7\u00e3o e liberdade na economia. Neoliberalismo n\u00e3o existe. O Consenso de Washington possui propostas neo-intervencionistas. Os pa\u00edses que reformaram sua pol\u00edtica econ\u00f4mica nos anos 1990 buscaram o neo-intervencionismo. O per\u00edodo pelo qual passamos na d\u00e9cada passada e continuamos at\u00e9 hoje pode se chamar a Era do Novo Intervencionismo.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><pre><span style=\"color: #999999;\">*Artigo cedido polo Instituto Mises Brasil<\/span><\/pre>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-16219","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16219"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16221,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16219\/revisions\/16221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}