{"id":15806,"date":"2018-01-12T23:15:53","date_gmt":"2018-01-12T21:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=15806\/"},"modified":"2018-01-12T23:15:53","modified_gmt":"2018-01-12T21:15:53","slug":"dez-licoes-de-economia-para-iniciantes-setima-licao-capital-juros-e-estrutura-de-producao-ubiratan-jorge-iorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/dez-licoes-de-economia-para-iniciantes-setima-licao-capital-juros-e-estrutura-de-producao-ubiratan-jorge-iorio\/","title":{"rendered":"DEZ LI\u00c7\u00d5ES DE ECONOMIA PARA INICIANTES &#8211; S\u00c9TIMA LI\u00c7\u00c3O: CAPITAL, JUROS E ESTRUTURA DE PRODU\u00c7\u00c3O. Ubiratan Jorge Iorio"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">DEZ LI\u00c7\u00d5ES DE ECONOMIA PARA INICIANTES &#8211; S\u00c9TIMA LI\u00c7\u00c3O: CAPITAL, JUROS E ESTRUTURA DE PRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><em>\u00a0 \u00a0 &#8211;\u00a0Ubiratan Jorge Iorio &#8211;\u00a0\u00a0<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Se voc\u00ea perguntar a uma pessoa humilde e sem instru\u00e7\u00e3o o que \u00e9 capital, ela talvez responda batendo com a m\u00e3o em um dos bolsos da cal\u00e7a, para indicar que se trata de dinheiro; se perguntar a certos pol\u00edticos que n\u00e3o d\u00e3o valor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, eles talvez respondam que &#8220;capital \u00e9 Bras\u00edlia&#8221;; se perguntar o mesmo a um economista que se tenha formado l\u00e1 pelos anos 50 do s\u00e9culo passado (e que nunca mais tenha estudado para se atualizar), ele com certeza vai dizer que capital \u00e9 o conjunto de m\u00e1quinas, equipamentos, constru\u00e7\u00f5es e instala\u00e7\u00f5es; se fizer a pergunta a um monetarista, ele lhe dar\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de Irving Fischer (&#8220;capital \u00e9 qualquer ativo que tem capacidade de gerar um fluxo de rendimentos ao longo do tempo&#8221;). Mas, e se voc\u00ea perguntar o que \u00e9 o capital a um economista austr\u00edaco?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Bem, certamente ele come\u00e7ar\u00e1 a resposta mostrando a voc\u00ea que o resultado ou recompensa pela produ\u00e7\u00e3o de um bem ou servi\u00e7o exige sempre esfor\u00e7o para ser alcan\u00e7ado e que se voc\u00ea quiser ter mais coisas amanh\u00e3 ter\u00e1 que sacrificar alguma coisa hoje. Este exemplo simples ajudar\u00e1 voc\u00ea a compreender onde queremos chegar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Suponha que Robinson Cruso\u00e9 pescava tr\u00eas peixes por dia mergulhando para peg\u00e1-los com as pr\u00f3prias m\u00e3os e que sua alimenta\u00e7\u00e3o consistia exclusivamente do pescado que &#8220;produzia&#8221;. Ao final do dia, assava-os e os comia. Suponha agora que ele tivesse tomado a decis\u00e3o de, ao inv\u00e9s de comer os tr\u00eas peixes que pescava diariamente, consumir apenas dois, economizando, portanto, um peixe por dia. Ao cabo de dois dias, teria acumulado dois peixes, o que lhe garantiria consumo para um dia. Admita que ele gastasse esse dia n\u00e3o para pescar, mas para construir uma rede tosca, que lhe permitiria pegar, ao inv\u00e9s dos tr\u00eas a que estava acostumado, uma d\u00fazia de peixes por dia \u2014 sem d\u00favida, um resultado superior ao inicial. Neste exemplo de uma economia aut\u00edstica, a abstin\u00eancia \u2014 ou poupan\u00e7a \u2014 seria dada por aqueles dois peixes que deixou de comer durante os dois dias para que pudesse ter uma reserva de peixes que lhe permitisse passar um dia inteiro investindo, ou seja, construindo o bem de capital \u2014 a rede.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Neste exemplo, o capital de Cruso\u00e9 consiste na rede que ele, com sacrif\u00edcio e esfor\u00e7o, construiu, renunciando ao consumo de um peixe durante dois dias consecutivos para que pudesse ter doze peixes por dia a partir do quarto dia, quando j\u00e1 podia usar a rede. Note que ele poupou no primeiro e no segundo dia e que investiu no terceiro dia. Guarde isso muito bem: para investir, \u00e9 preciso antes poupar!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 De maneira geral, um bem de capital, para os economistas austr\u00edacos, \u00e9 cada uma das etapas intermedi\u00e1rias de cada processo de a\u00e7\u00e3o, subjetivamente consideradas dessa forma pelo agente. Mais especificamente, um bem de capital \u00e9 uma das etapas intermedi\u00e1rias da s\u00e9rie em que se constitui todo o processo produtivo desenvolvido pelo agente. Por exemplo, na produ\u00e7\u00e3o do bem final &#8220;p\u00e3o&#8221;, a farinha \u00e9 um bem intermedi\u00e1rio, um bem que j\u00e1 embute um valor adicionado e que ainda n\u00e3o est\u00e1 &#8220;pronto&#8221; para o consumo final, mas que \u00e9 utilizado na produ\u00e7\u00e3o de p\u00e3es. Neste exemplo, na nomenclatura austr\u00edaca, o p\u00e3o \u00e9 um bem de primeira ordem ou de consumo final, a farinha um bem de segunda ordem e o trigo (que \u00e9 utilizado para produzir a farinha) \u00e9 um bem de terceira ordem. Farinha e trigo s\u00e3o bens de capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 No artigo \u201cA teoria austr\u00edaca do capital\u201d, que \u00e9 um resumo do quarto cap\u00edtulo de meu livro <em>A\u00e7\u00e3o, tempo de conhecimento<\/em> (IMB, S\u00e3o Paulo, 2011), est\u00e1 escrito:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">O que separa o agente de seu desejado fim \u00e9 o tempo, ou seja, a s\u00e9rie sucessiva de etapas que integram o seu processo de a\u00e7\u00e3o. \u00c9 intuitivo que, sob o ponto de vista prospectivo e subjetivo do agente, existe uma tend\u00eancia a que, quanto maior for o per\u00edodo de tempo que se espera para concretizar uma a\u00e7\u00e3o \u2014 ou seja, quanto maior a complexidade das etapas sucessivas que a constituem \u2014, assim como quanto maior for o grau de incerteza envolvido na consecu\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o at\u00e9 o objetivo pretendido, o resultado ou fim da a\u00e7\u00e3o que se pretende alcan\u00e7ar deve possuir um valor maior. Se n\u00e3o fosse assim, n\u00e3o se realizariam a\u00e7\u00f5es que demandam mais tempo e embutem maior incerteza, porque se optaria sempre pelo &#8216;curto&#8217; e o &#8216;n\u00e3o duvidoso&#8217;.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Em outras palavras, os seres humanos, em situa\u00e7\u00f5es semelhantes, sempre desejam alcan\u00e7ar os seus fins da maneira mais r\u00e1pida e menos incerta poss\u00edvel e somente mostrar\u00e3o disposi\u00e7\u00e3o para adiar a realiza\u00e7\u00e3o de seus prop\u00f3sitos se \u2014 subjetivamente \u2014 julgarem que o adiamento lhes permitir\u00e1 alcan\u00e7ar objetivos de maior valor. A isto se denomina de prefer\u00eancia intertemporal. Escrevendo de outra forma: os bens presentes s\u00e3o prefer\u00edveis aos bens futuros, ou, ainda: o adiamento de uma recompensa no presente exige uma recompensa maior no futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Nas economias modernas, com milh\u00f5es de agentes econ\u00f4micos, em que a complexidade dos processos produtivos \u00e9 muito mais sofisticada do que a do exemplo de Robinson Cruso\u00e9 que vimos, o capitalista \u00e9 aquele que poupa, ou seja, consome menos do que cria ou produz, liberando dessa forma recursos para os est\u00e1gios mais afastados da estrutura de produ\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, para a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O economista austr\u00edaco Eugene von B\u00f6hm-Bawerk, ao enfatizar a import\u00e2ncia do tempo no processo econ\u00f4mico e ao definir o capital como sendo os fatores de produ\u00e7\u00e3o fabricados, desenvolveu a teoria do capital e dos juros. Sua an\u00e1lise sustentava-se na ideia de que os meios de produ\u00e7\u00e3o indiretos ( que ele chamou de roundabout, como a farinha no exemplo da fabrica\u00e7\u00e3o de p\u00e3es) permitem o aumento da produtividade dos agentes, tanto em termos de quantidades maiores de bens produzidos sem equipamentos, como dos bens produzidos apenas com a utiliza\u00e7\u00e3o de bens de capital em seus processos produtivos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 E o tempo de espera associado ao uso de processos indiretos de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o n\u00facleo de sua teoria dos juros. Seu argumento era o de que os agentes econ\u00f4micos valorizam mais os bens presentes do que os bens futuros com caracter\u00edsticas semelhantes, desde que as demais circunst\u00e2ncias n\u00e3o se alterem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Em outras palavras, isto significa que as pessoas t\u00eam uma tend\u00eancia a consumir mais no presente do que no futuro. Tal afirmativa, que denominamos de lei da prefer\u00eancia intertemporal, deduz-se imediatamente dos postulados da a\u00e7\u00e3o humana e traduz o fato de que, sendo o tempo um fator escasso, o agente econ\u00f4mico procura obter a situa\u00e7\u00e3o mais satisfat\u00f3ria para ele no m\u00ednimo de tempo poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Os agentes econ\u00f4micos disp\u00f5em de duas possibilidades quanto ao consumo daquilo que \u00e9 produzido: consumir no presente ou esperar para consumir no futuro, isto \u00e9, poupar. E, como os seres humanos possuem uma tend\u00eancia para consumir no presente, torna-se necess\u00e1rio, para que eles abram m\u00e3o dessa inclina\u00e7\u00e3o natural e adiem seu consumo, que recebam uma recompensa ou pr\u00eamio pela espera. Tal pr\u00eamio, denominado de juros origin\u00e1rio, \u00e9 definido como a diferen\u00e7a entre os valores atribu\u00eddos a um mesmo bem no presente e no futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O montante de juros origin\u00e1rio tende a ser diretamente proporcional \u00e0 prefer\u00eancia temporal dos agentes econ\u00f4micos, ou seja, quanto mais estes valorizem o consumo presente em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, maior dever\u00e1 ser o montante de juros necess\u00e1rio para induzi-los a poupar, isto \u00e9, a postergar o consumo e, inversamente, quanto maior a prefer\u00eancia pelo consumo futuro em rela\u00e7\u00e3o ao presente, menor dever\u00e1 ser o total de juros que ele requerer\u00e1 para poupar. Se, por exemplo, os agentes econ\u00f4micos soubessem que o fim do mundo seria no dia seguinte, a taxa de juros tenderia ao infinito; se, por outro lado, fossem informados de que nunca morreriam ent\u00e3o a taxa de juros cairia para n\u00edveis baix\u00edssimos, pr\u00f3ximos de zero.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Assim, quando um credor empresta, por exemplo, R$10.000,00 em troca do recebimento de R$ 10.300,00 dentro de um semestre, os dois n\u00e3o est\u00e3o trocando a mesma coisa: o credor entrega R$ 10.000,00 ao devedor na forma de um bem presente (dinheiro), enquanto o devedor d\u00e1 ao credor um bem futuro (uma promiss\u00f3ria), que representa uma perspectiva de recebimento de dinheiro no fim dos seis meses. Em virtude da discrep\u00e2ncia entre as valoriza\u00e7\u00f5es de um mesmo bem no presente e no futuro, \u00e9 que o credor cobra um pr\u00eamio (no exemplo, 3% ao semestre) pelo bem atual, que o devedor aceita pagar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O capital n\u00e3o \u00e9 nenhuma &#8220;quantidade&#8221;, \u00e9 uma estrutura, uma rede bastante complexa e que possui uma dimens\u00e3o temporal. Por exemplo, voltemos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de p\u00e3es: ela come\u00e7a quando um agricultor planta as sementes de trigo. Leva, ent\u00e3o, tempo para que essas sementes germinem, se transformem em trigo e este seja colhido e enviado para um moinho. Por sua vez, leva tamb\u00e9m algum tempo para que esse trigo seja transformado em farinha e encaminhado \u00e0 padaria. Uma vez na padaria, tamb\u00e9m leva tempo para que essa farinha, juntamente com outros ingredientes, seja transformada em p\u00e3es. A essas etapas sucessivas na produ\u00e7\u00e3o dos bens \u00e9 que chamamos de estrutura de capital ou estrutura de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Os indiv\u00edduos, em suas escalas valorativas, tendem a atribuir maior valor aos bens presentes do que aos bens futuros, mas a avalia\u00e7\u00e3o subjetiva, naturalmente, varia muito entre os indiv\u00edduos, bem como para o mesmo indiv\u00edduo ao longo de sua vida. Isto conduz a possibilidades m\u00faltiplas de trocas, em que ambas as partes possam se beneficiar. Pessoas com baixa prefer\u00eancia intertemporal est\u00e3o dispostas a renunciar a bens presentes em troca de bens futuros com valores n\u00e3o muito maiores, entregando assim os seus bens presentes a outros que tenham uma prefer\u00eancia intertemporal mais alta e, portanto, valorizem mais fortemente o presente em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Isto acaba por determinar o pre\u00e7o de mercado dos bens presentes relativamente aos bens futuros. Para a Escola Austr\u00edaca, portanto, a taxa de juros nada mais \u00e9 do que o pre\u00e7o de mercado dos bens presentes em rela\u00e7\u00e3o aos bens futuros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Assim, a taxa de juros \u00e9 o pre\u00e7o determinado em mercado no qual os ofertantes ou vendedores de bens presentes s\u00e3o, precisamente, os poupadores \u2014 todos aqueles relativamente mais dispostos a renunciar ao consumo imediato em troca da expectativa de obter um maior valor de bens no futuro. J\u00e1 os compradores o de bens presentes preferem consumir bens e servi\u00e7os imediatos porque sua propens\u00e3o \u00e0 abstin\u00eancia \u00e9 menor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Portanto, o mercado de bens presentes e bens futuros, no qual se determina a taxa de juros, \u00e9 formado por toda a estrutura de produ\u00e7\u00e3o da economia, em que os poupadores ou capitalistas renunciam ao consumo imediato e oferecem bens presentes aos propriet\u00e1rios dos fatores originais de produ\u00e7\u00e3o (trabalho e recursos naturais) e aos propriet\u00e1rios dos bens de capital, em troca de assegurar a posse de um valor \u2014 que espera vir a ser maior \u2014 de bens de consumo no futuro. Se eliminarmos os efeitos positivos (ou negativos) dos ganhos (ou perdas) da atividade empresarial, a diferen\u00e7a de valor tende a coincidir com a taxa de juros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Quanto maior a poupan\u00e7a, ou seja, quanto mais dispostos a renunciar ao consumo imediato forem os agentes, menor ser\u00e1 a taxa de juro, maior disponibilidade de bens presentes para aumentar a dura\u00e7\u00e3o e a complexidade dos est\u00e1gios do processo produtivo. E quanto menor for a poupan\u00e7a, vale dizer, quanto menos dispostos forem os agentes econ\u00f4micos a renunciar ao consumo imediato de bens presentes, mais alta ser\u00e1 a taxa de juros de mercado. Portanto, uma taxa de juros de mercado alta indica que a poupan\u00e7a \u00e9 escassa em termos relativos, e isso \u00e9 um sinal de que os empreendedores n\u00e3o devem alargar os est\u00e1gios de produ\u00e7\u00e3o, o que provocaria descoordena\u00e7\u00f5es. A taxa de juros indica ent\u00e3o \u00e0 atividade empresarial quais os novos est\u00e1gios produtivos ou projetos de investimento que devem empreender e quais devem evitar, para manter coordenados os comportamentos de poupadores, consumidores e investidores, evitando que os diversos est\u00e1gios produtivos sejam mais curtos ou mais longos do que devem ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Capital e bem de capital s\u00e3o conceitos distintos, sob o ponto de vista econ\u00f4mico. O capital \u00e9 o valor, calculado a pre\u00e7os de mercado, dos bens de capital, sendo a taxa de juros o fator de desconto. O conceito de capital da Escola Austr\u00edaca \u00e9, portanto, abstrato, uma ferramenta de c\u00e1lculo econ\u00f4mico, isto \u00e9, uma estimativa subjetiva sobre os valores esperados dos bens de capital no futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O capital, portanto, \u00e9 o meio indispens\u00e1vel para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de bem-estar dos indiv\u00edduos, e \u00e9 resultado do investimento que, por sua vez, \u00e9 fruto da poupan\u00e7a pr\u00e9via e n\u00e3o de c\u00e9dulas emitidas pelo Banco Central. O bem-estar aumenta a partir do esfor\u00e7o da poupan\u00e7a, na medida em que esta se converte em investimento; ele n\u00e3o aumenta \u2014 pelo contr\u00e1rio, diminui \u2014 pela simples vontade, manifestada pelo governo, de que ele poder\u00e1 aumentar mediante a fixa\u00e7\u00e3o de taxas de juros artificialmente baixas e\/ou da emiss\u00e3o de moeda sem lastro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><pre><span style=\"color: #999999;\">*Artigo cedido polo Intituto Mises Brasil<\/span><\/pre>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15806"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15808,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15806\/revisions\/15808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}