{"id":15125,"date":"2017-08-14T16:51:21","date_gmt":"2017-08-14T14:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=15125\/"},"modified":"2017-08-14T16:51:21","modified_gmt":"2017-08-14T14:51:21","slug":"a-escola-austriaca-e-a-refutacao-cabal-do-socialismo-ii-alceu-garcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/a-escola-austriaca-e-a-refutacao-cabal-do-socialismo-ii-alceu-garcia\/","title":{"rendered":"A ESCOLA AUSTR\u00cdACA E A REFUTA\u00c7\u00c3O CABAL DO SOCIALISMO (II) &#8211; Alceu Garcia"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">A ESCOLA AUSTR\u00cdACA E A REFUTA\u00c7\u00c3O CABAL DO SOCIALISMO. (II)<\/span><\/h1>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><strong><em>\u00a0 \u00a0 &#8211; Alceu Garcia\u00a0&#8211; \u00a0\u00a0<\/em><\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 A lei da prefer\u00eancia temporal.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Outra descoberta fundamental, feita por um disc\u00edpulo de Carl Menger chamado Eugen von Bohm-Bawerk, relaciona-se com a influ\u00eancia do tempo no processo produtivo. Ele percebeu uma categoria universal da a\u00e7\u00e3o humana: as pessoas d\u00e3o mais valor a um bem no presente do que o mesmo bem no futuro, posto que o tempo \u00e9 escasso, e logo \u00e9 um bem econ\u00f4mico. Os indiv\u00edduos ao agirem elegem determinados fins e quanto mais cedo puderem alcan\u00e7\u00e1-los, melhor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Partindo desse axioma, ele obteve a explica\u00e7\u00e3o definitiva do fen\u00f4meno do juro, e mais, que o juro nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito financeiras \u00e9 um caso especial de um fen\u00f4meno geral. A produ\u00e7\u00e3o demanda tempo; do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 a venda do produto h\u00e1 uma demora, sem falar no risco de o produto n\u00e3o ser vendido. Ocorre que ningu\u00e9m quer esperar at\u00e9 que a venda ocorra para receber sua parte no total \u2014 isso se a venda realmente acontecer, e o pre\u00e7o for recompensador. Os propriet\u00e1rios dos fatores de produ\u00e7\u00e3o \u2014 os trabalhadores, os propriet\u00e1rios do espa\u00e7o alugado, os fornecedores de insumos, os donos dos bens de capital \u2014 querem receber logo sua parte sem partilhar dos riscos. Dito de outra forma, eles preferem bens presentes a bens futuros. Da\u00ed receberem menos agora do que receberiam no futuro. Ficam livres do risco, que \u00e9 assumido pelo empreendedor e pelos poupadores que lhe outorgaram seus recursos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A parcela que um determinado trabalhador agrega ao produto final \u2014 o valor do produto marginal, como dizem os economistas \u2014 pode ou n\u00e3o ser remunerado integralmente. H\u00e1 frequentemente casos em que o trabalhador recebe mais do que produziu, quando o pre\u00e7o n\u00e3o cobre os custos, o que n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o pela teoria marxista. O capitalista paga a mais-valia ao prolet\u00e1rio! O que \u00e9 certo \u00e9 que na economia de mercado h\u00e1 for\u00e7as operando incessantemente para igualar o sal\u00e1rio ao valor do produto marginal. Tanto o lucro quanto o preju\u00edzo s\u00e3o sinais de desequil\u00edbrio. Os preju\u00edzos significam que os compradores n\u00e3o valoram um determinado bem mais do que o disp\u00eandio m\u00ednimo corrente para produzi-lo. Os trabalhadores est\u00e3o recebendo mais do que o seu trabalho produz. O empres\u00e1rio tem que reduzir custos para reduzir o pre\u00e7o do seu produto, ou quebra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O lucro significa que os consumidores valoram um dado bem a um dado pre\u00e7o mais do que o custo de produzi-lo. Os trabalhadores est\u00e3o recebendo menos do que o valor do produto marginal. Isso quer dizer que os compradores querem mais desse produto. O retorno alto atrai a concorr\u00eancia, o que aumenta a demanda por fatores de produ\u00e7\u00e3o \u2014 trabalho incluso \u2014 e faz cair o pre\u00e7o pelo aumento da oferta do produto. A taxa de lucro baixa e os sal\u00e1rios tendem a igualar o valor do produto marginal, descontada a taxa social de prefer\u00eancia temporal \u2014 o juro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Marx nunca compreendeu \u2014 ou n\u00e3o quis compreender \u2014 que o empreendedor \u00e9 um preposto dos consumidores e que s\u00e3o estes quem determinam indiretamente o n\u00edvel de remunera\u00e7\u00e3o dos fatores de produ\u00e7\u00e3o \u2014 sal\u00e1rios inclusos. A tarefa dos empreendedores \u00e9 satisfazer os caprichos dos consumidores. Nessa fun\u00e7\u00e3o ele deve assumir riscos pois o futuro \u00e9 sempre incerto. Nota-se, pois, o absurdo da condena\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o &#8220;para o lucro&#8221; pelos marxistas vulgares e sua venera\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o &#8220;para o uso&#8221;. Sucede que toda produ\u00e7\u00e3o sempre tem por fim o consumo, i.e., o uso. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, e sim um meio para se alcan\u00e7ar um fim: o consumo. O lucro e as perdas monet\u00e1rios s\u00e3o sinais fundamentais que orientam os empres\u00e1rios a organizar eficientemente a produ\u00e7\u00e3o de modo a satisfazer os usos mais urgentemente desejados pelos usu\u00e1rios (pressupondo-se a aus\u00eancia de privil\u00e9gios concedidos pelo governo aos produtores em detrimento dos consumidores, tais como tarifas, monop\u00f3lios, subs\u00eddios, licen\u00e7as etc).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A lei da prefer\u00eancia temporal exerce um papel determinante no processo produtivo. Se todos os propriet\u00e1rios de fatores (os empregados donos de sua for\u00e7a de trabalho, os fornecedores de insumos, o propriet\u00e1rio do espa\u00e7o onde a f\u00e1brica ou loja se situa, os capitalistas) decidissem partilhar do risco e aguardar at\u00e9 a efetiva venda do produto final total para ent\u00e3o dividirem pro rata a receita total, todos eles seriam empreendedores. Como, por\u00e9m, o ser humano prefere o mesmo bem agora ao futuro (que \u00e9 sempre incerto), surge a necessidade social de que um indiv\u00edduo, ou grupo de indiv\u00edduos reunidos (empresa), exer\u00e7a essa fun\u00e7\u00e3o empreendedorial, que \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel para o progresso da sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O empreendedor, assim, paga agora aos propriet\u00e1rios de fatores com bens presentes em troca de receber os mesmos bens (dinheiro) no futuro, correndo o risco de n\u00e3o receber. Esse desconto dos bens presentes em termos de bens futuros, como j\u00e1 assinalado, \u00e9 o que se chama de juro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 A impossibilidade do c\u00e1lculo econ\u00f4mico no socialismo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Tendo demonstrado satisfatoriamente que a cr\u00edtica marxista ao capitalismo \u00e9 inteiramente equivocada, resta empreender por nosso turno a cr\u00edtica ao sistema socialista, conforme idealizado por Marx, seus sucessores e outras correntes socialistas. Esse sistema exige a propriedade p\u00fablica dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u2014 terra, trabalho e capital \u2014 e o consequente planejamento central de todas as atividades econ\u00f4micas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A primeira obje\u00e7\u00e3o que vem \u00e0 mente \u00e9 a quest\u00e3o dos incentivos: quem planeja e quem obedece \u00e0s ordens do planejador ou planejadores? Quem determina o padr\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e que padr\u00e3o \u00e9 esse? Numa sociedade que se presume igualit\u00e1ria, a remunera\u00e7\u00e3o deve ser igual para todos os tipos de trabalho? Nesse caso, o neurocirurgi\u00e3o ter\u00e1 o mesmo incentivo para exercer suas fun\u00e7\u00f5es que o lixeiro? Segundo os marxistas, cada um contribui para a coletividade segundo as suas possibilidades e recebe de um fundo comum segundo suas necessidades. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 aqui imaginar a complexidade do problema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Pois um disc\u00edpulo de Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, foi mais al\u00e9m, atingindo a raiz do problema do socialismo, que \u00e9 ainda mais profunda do que a complica\u00e7\u00e3o dos incentivos permite vislumbrar. Mises descobriu que a atividade econ\u00f4mica em uma economia complexa depende de um c\u00e1lculo pr\u00e9vio que leve em conta os pre\u00e7os monet\u00e1rios dos fatores de produ\u00e7\u00e3o. Imposs\u00edvel esse c\u00e1lculo, imposs\u00edvel a atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ocorre que, em uma sociedade socialista pura, todos os fatores de produ\u00e7\u00e3o pertencem a um \u00fanico dono: o estado. Sem propriedade privada, os fatores de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o trocados e, logo, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o. A escassez relativa dos fatores de produ\u00e7\u00e3o e seus usos alternativos fica oculta e o planejador central inexoravelmente \u00e9 levado a agir \u00e0s cegas. Mises admitiu, para argumentar, que a quest\u00e3o dos incentivos n\u00e3o apresentasse nenhum obst\u00e1culo, que todos se empenhassem diligentemente em suas tarefas. Ou seja, postula-se que a natureza humana seja aquela que os te\u00f3ricos socialistas quiserem que ela seja, n\u00e3o o que ela de fato \u00e9. Mesmo assim, na aus\u00eancia de pre\u00e7os para os fatores de produ\u00e7\u00e3o, o c\u00e1lculo econ\u00f4mico \u00e9 imposs\u00edvel e a atividade econ\u00f4mica se torna ca\u00f3tica, vez que n\u00e3o se pode discernir entre os v\u00e1rios tipos de combina\u00e7\u00e3o de fatores aquele que \u00e9 o mais econ\u00f4mico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Dado um determinado estado de conhecimento tecnol\u00f3gico, sempre existem in\u00fameras maneiras de se empreender um projeto econ\u00f4mico qualquer, digamos uma sider\u00fargica, mas somente se a escassez relativa dos fatores de produ\u00e7\u00e3o for expressa em pre\u00e7os monet\u00e1rios ser\u00e1 poss\u00edvel escolher dentre as solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas poss\u00edveis aquela que \u00e9 mais econ\u00f4mica, ou seja, a que representa os menores custos em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o futuro do produto final, e s\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar ex ante se o projeto sequer \u00e9 economicamente vi\u00e1vel no momento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Como nada disso \u00e9 a priori poss\u00edvel em uma sociedade socialista, todos os empreendimentos tocados pelo estado n\u00e3o passam de um gigantesco desperd\u00edcio de recursos que mais cedo ou mais tarde leva ao colapso econ\u00f4mico. A experi\u00eancia comunista comprovou tudo isso, muito embora n\u00e3o tenha nunca existido uma sociedade socialista realmente pura. A URSS podia usar o sistema de pre\u00e7os do mundo capitalista como refer\u00eancia e copiar seus m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, e um florescente e gigantesco mercado negro supria at\u00e9 certo ponto as monumentais falhas do planejamento estatal. Mesmo assim, a economia sovi\u00e9tica sempre foi um caos. Funcionou por algum tempo gra\u00e7as ao uso sistem\u00e1tico do terror como &#8220;incentivo&#8221;. Mas o terror n\u00e3o pode durar para sempre. Quando arrefeceu, foi-se o incentivo e a economia comunista anquilosou rapidamente e morreu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 A natureza dispersa do conhecimento.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A cr\u00edtica de Mises publicada em 1920 causou consterna\u00e7\u00e3o na intelligentsia socialista. Ao menos o desafio foi levado a s\u00e9rio e muitas respostas foram aventadas. Nos anos 1930, alguns economistas socialistas (Oskar Lange, Abba Lerner) formularam a teoria do &#8220;socialismo de mercado&#8221;, baseada nas id\u00e9ias do economista do s\u00e9culo XIX L\u00e9on Walras, que concebeu um m\u00e9todo de equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas capazes de permitir a compreens\u00e3o do estado geral de equil\u00edbrio de uma economia. Tudo o que se fazia necess\u00e1rio, pois, era outorgar certa autonomia aos gerentes das unidades produtivas de modo que igualassem o pre\u00e7o do produto ao custo marginal para que o comunismo funcionasse t\u00e3o bem como o capitalismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Muitos economistas liberais eminentes, como Joseph Schumpeter e Frank Knight, aceitaram a validade dessa solu\u00e7\u00e3o e se convenceram de que n\u00e3o havia obst\u00e1culos econ\u00f4micos ao socialismo. Ainda outro economista austr\u00edaco, contudo, Friedrich Hayek, disc\u00edpulo de Mises, desenvolveu certos aspectos impl\u00edcitos na an\u00e1lise de seu mestre para refutar a &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; socialista. O esquema walrasiano padece de um defeito fatal: \u00e9 est\u00e1tico. O conhecimento t\u00e9cnico, os recursos e as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o considerados dados no sistema. Hayek argumentou que o conhecimento \u00e9 disperso na sociedade e a sua utiliza\u00e7\u00e3o racional \u00e9 levada a efeito por cada indiv\u00edduo tra\u00e7ando seus pr\u00f3prios planos segundo circunst\u00e2ncias personal\u00edssimas e intransfer\u00edveis. O mercado coordena esses planos espontaneamente, sobretudo por interm\u00e9dio do sistema de pre\u00e7os, de forma muito mais racional e \u00fatil do que um planejamento central poderia esperar fazer. O planejamento central implica a supress\u00e3o dos planos individuais. Os indiv\u00edduos tornam-se instrumentos do planejador central, mas esse n\u00e3o pode ter jamais a esperan\u00e7a de coordenar a produ\u00e7\u00e3o racionalmente. O estado de equil\u00edbrio \u00e9 uma quimera que n\u00e3o tem lugar no mundo real, din\u00e2mico por natureza, e o conhecimento, as oportunidades e a informa\u00e7\u00e3o nunca est\u00e3o &#8220;dados&#8221;. Ao contr\u00e1rio, est\u00e3o sendo incessantemente criados e ampliados atrav\u00e9s das iniciativa individuais e suas intera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Mesmo assim, Mises e Hayek foram tidos como refutados e relegados ao ostracismo pela comunidade dos economistas. Mises morreu esquecido em 1973, mas Hayek viveu o suficiente para rir por \u00faltimo quando o comunismo so\u00e7obrou e todas as an\u00e1lises de ambos se revelaram certas. Ele morreu em 1992, ap\u00f3s testemunhar a queda do Muro de Berlim e o colapso sovi\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 Conclus\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Provar que na economia de mercado n\u00e3o existe mais-valia nem explora\u00e7\u00e3o, todavia, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que dizer que a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe. Existe. Ela ocorre quando somos for\u00e7ados a dar alguma coisa em troca de nada, como no caso dos tributos recolhidos pelo estado. O estado \u00e9 a m\u00e1quina perfeita de explora\u00e7\u00e3o. E o marxismo, por conferir um poder absoluto ao estado, \u00e9 o ve\u00edculo insuper\u00e1vel da explora\u00e7\u00e3o sistematizada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 A doutrina socialista por ser intrinsecamente falsa leva inevitavelmente a uma pervers\u00e3o e invers\u00e3o do sentido das palavras, como notou Orwell \u2014 por ironia ele mesmo um socialista convicto. Liberdade \u00e9 escravid\u00e3o e escravid\u00e3o \u00e9 liberdade; democracia \u00e9 ditadura e ditadura \u00e9 democracia; coopera\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria \u00e9 coer\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o \u00e9 coopera\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria. O estado socialista \u00e9 dono de tudo, o que traduz a triste realidade de que os que comandam o governo s\u00e3o os senhores implac\u00e1veis, os propriet\u00e1rios absolutos dos comandados. Socialismo \u00e9 mais do que uma restaura\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o; \u00e9 seu aperfei\u00e7oamento e culmin\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Vale lembrar ainda que a an\u00e1lise acima vale para qualquer esp\u00e9cie de socialismo, seja o comunismo (socialismo de classe), nazismo (socialismo de ra\u00e7a) ou fascismo (socialismo de na\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Tudo o que foi exposto aqui \u00e9 conhecido h\u00e1 d\u00e9cadas. Contudo, pouca gente sabe pois a intelligentsia de esquerda bloqueia a sua divulga\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma vergonha, pois uma das tarefas principais dos intelectuais \u2014 os que se dedicam ao estudo das id\u00e9ias \u2014 deveria ser justamente a de esclarecer a sociedade a respeito das id\u00e9ias certas a serem adotadas para o bem comum, e advertir do perigo de se aceitar teorias erradas. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece, infelizmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Parece que os intelectuais sofrem de uma propens\u00e3o irreprim\u00edvel para o socialismo, certamente porque nele vislumbram a chance de empalmar o poder absoluto em causa pr\u00f3pria. Em termos marxistas, o pr\u00f3prio marxismo n\u00e3o passa de ideologia, a falsa consci\u00eancia, que uma classe \u2014 a intelligentsia \u2014 difunde em fun\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses. Essas falsas id\u00e9ias se propagam e iludem \u2014 alienam \u2014 as futuras v\u00edtimas da classe &#8220;revolucion\u00e1ria&#8221;. \u00c9 um dever inadi\u00e1vel de todo cidad\u00e3o consciente denunciar esse esquema podre, desmascarar a fal\u00e1cia socialista e esclarecer a opini\u00e3o p\u00fablica na medida de suas possibilidades.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p>&nbsp;<\/p>\n<pre><span style=\"color: #999999;\">*Artigo cedido polo Instituto Mises Brasil\u00a0(versi\u00f3n portugu\u00e9s)<\/span><\/pre>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15125","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-cy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15125"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15127,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15125\/revisions\/15127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}