{"id":15084,"date":"2017-08-07T16:24:42","date_gmt":"2017-08-07T14:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/xoandelugo.org\/?p=15084\/"},"modified":"2017-08-07T19:37:36","modified_gmt":"2017-08-07T17:37:36","slug":"a-escola-austriaca-e-a-refutacao-cabal-do-socialismo-i-alceu-garcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xoandelugo.org\/cy\/a-escola-austriaca-e-a-refutacao-cabal-do-socialismo-i-alceu-garcia\/","title":{"rendered":"A ESCOLA AUSTR\u00cdACA E A REFUTA\u00c7\u00c3O CABAL DO SOCIALISMO. (I) &#8211; Alceu Garcia"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#e2e2e2;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:calc( 1200px + 0px );margin-left: calc(-0px \/ 2 );margin-right: calc(-0px \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #428fc9;\">A ESCOLA AUSTR\u00cdACA E A REFUTA\u00c7\u00c3O CABAL DO SOCIALISMO. (I)<\/span><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #428fc9;\"><em>\u00a0 \u00a0 &#8211; Alceu Garcia &#8211; \u00a0\u00a0<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-single sep-solid\" style=\"border-color:#ffe500;border-top-width:1px;\"><\/div><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-3\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O fracasso do socialismo como princ\u00edpio de ordenamento social \u00e9 hoje evidente para qualquer pessoa sensata e informada \u2014 o que exclui, \u00e9 claro, os socialistas. Estes, por\u00e9m, insistem que o malogro coletivista foi um mero acidente hist\u00f3rico, que a teoria \u00e9 fundamentalmente correta e que pode funcionar no futuro, se presentes as condi\u00e7\u00f5es apropriadas. Tentarei demonstrar nesse texto, recorrendo na medida das minhas limita\u00e7\u00f5es aos ensinamentos da escola austr\u00edaca de economia, que absolutamente n\u00e3o \u00e9 esse o caso, que a teoria econ\u00f4mica (para n\u00e3o falar dos fundamentos filos\u00f3ficos, \u00e9ticos, sociol\u00f3gicos e pol\u00edticos!) do socialismo \u00e9 insustent\u00e1vel em seus pr\u00f3prios termos, e que ipso facto os resultados calamitosos constatados pela experi\u00eancia hist\u00f3rica s\u00e3o, e sempre ser\u00e3o, uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel de uma ordem (<em>rectius<\/em>: desordem!) socialista. N\u00e3o \u00e9 preciso enfatizar a import\u00e2ncia de se ter plena consci\u00eancia da natureza perniciosa dessa corrente pol\u00edtica e de suas funestas implica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>O erro dos cl\u00e1sicos.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O n\u00facleo do pensamento econ\u00f4mico socialista est\u00e1 na concep\u00e7\u00e3o do valor como decorrente do volume de trabalho necess\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o das mercadorias, e isso n\u00e3o s\u00f3 em Marx como tamb\u00e9m em outros te\u00f3ricos como Rodbertus, Proudhon etc. Essa teoria do valor constitui a premissa elementar da qual a mais-valia e a explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o deduzidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Marx, como se sabe, n\u00e3o inventou a teoria do valor-trabalho. Ela foi exposta bem antes por Adam Smith e David Ricardo e, dada a autoridade desses mestres, ganhou foros de ortodoxia. \u00c9 dif\u00edcil entender como esses dois pensadores not\u00e1veis, cujas descobertas foram realmente magn\u00edficas, puderam fracassar t\u00e3o cabalmente justamente na quest\u00e3o crucial do valor. Talvez por causa dos avan\u00e7os das ci\u00eancias naturais, que estavam revelando propriedades antes insuspeitadas nas coisas, eles imaginaram que era mais &#8220;cient\u00edfico&#8221; considerar o valor tamb\u00e9m como um atributo da coisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 V\u00e1rios pensadores antes de Smith j\u00e1 tinham tido o insight correto: o valor das coisas depende da avalia\u00e7\u00e3o subjetiva de sua utilidade. O valor est\u00e1 na mente dos homens. Hoje se sabe que os fil\u00f3sofos escol\u00e1sticos e os primeiros economistas franceses, Cantillon e Turgot, haviam concebido uma teoria econ\u00f4mica superior em muitos pontos a dos cl\u00e1ssicos brit\u00e2nicos, sobretudo quanto ao valor. Smith e Ricardo, por\u00e9m, puseram a economia na pista errada com uma teoria do valor falaciosa e, nesse aspecto, causaram um grave retrocesso no pensamento econ\u00f4mico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Mas n\u00e3o por muito tempo. Enquanto Marx e outros pensadores socialistas faziam da teoria objetiva do valor a pedra fundamental de sua doutrina, diversos estudiosos j\u00e1 haviam constatado o desacerto dessa teoria e, independentemente, buscavam alternativas. Em todo caso, n\u00e3o seria exagero afirmar que Marx foi um economista cl\u00e1ssico ortodoxo e que seus mestres, Ricardo em especial, podem ser considerados os fundadores honor\u00e1rios involunt\u00e1rios do socialismo &#8220;cient\u00edfico&#8221;. Por ironia, o &#8220;revolucion\u00e1rio&#8221; Marx foi um conservador extremado em teoria econ\u00f4mica, enquanto que os economistas &#8220;burgueses&#8221; austr\u00edacos empreenderam uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o nesse campo cient\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 A redescoberta da subjetividade do valor.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 V\u00e1rios economistas, entre eles o austr\u00edaco Carl Menger, chegaram basicamente \u00e0 mesma conclus\u00e3o que seus esquecidos antecessores pr\u00e9-cl\u00e1ssicos: o valor \u00e9 subjetivo. A teoria subjetiva do valor \u2014 ou teoria da utilidade marginal \u2014 resolve o problema satisfatoriamente, sem deixar lacunas. O valor nada tem a ver com a quantidade de trabalho empregada na produ\u00e7\u00e3o da coisa, mas depende de sua utilidade para a satisfa\u00e7\u00e3o de um prop\u00f3sito de uma determinada pessoa. A utilidade decresce \u00e0 medida que mais unidades de um dado bem s\u00e3o adquiridas, posto que a primeira unidade \u00e9 empregada na fun\u00e7\u00e3o mais urgente segundo a escala de valores de cada um, a segunda unidade exerce a fun\u00e7\u00e3o imediatamente menos urgente etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para um sujeito que j\u00e1 tem uma televis\u00e3o, por exemplo, ter outra j\u00e1 n\u00e3o tem a mesma urg\u00eancia \u2014 dito de outra forma, as TVs s\u00e3o id\u00eanticas, exigiram a mesma quantidade de trabalho na sua produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o t\u00eam o mesmo valor. Cada indiv\u00edduo tem uma escala de valores diferente, e o que \u00e9 valioso para um pode n\u00e3o valer nada para outro. At\u00e9 para o mesmo indiv\u00edduo a utilidade \u2014 e da\u00ed o valor \u2014 de um determinado bem varia no tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Isto posto, \u00e9 f\u00e1cil verificar que os pre\u00e7os refletem a intera\u00e7\u00e3o entre ofertantes e demandantes, cada um com sua respectiva escala de valores. Compradores e vendedores potenciais expressam suas prefer\u00eancias no mercado, condicionadas por suas valora\u00e7\u00f5es pessoais e intransfer\u00edveis, e dessa intera\u00e7\u00e3o surge uma raz\u00e3o de troca, um pre\u00e7o, que vai variando para igualar oferta e procura ao longo do tempo, de modo que em um determinado instante todos os que valoram o que querem adquirir (no caso a TV) mais do que o que se prop\u00f5em a dar em troca (no caso um pre\u00e7o monet\u00e1rio x) conseguem comprar o produto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 O fabricante de TVs, segundo Marx, primeiro fabrica o produto e da quantidade de trabalho por unidade sai o valor e, consequentemente o pre\u00e7o. Isso \u00e9 precisamente o inverso do processo real. Na verdade, o fabricante inicialmente faz uma estimativa de um certo pre\u00e7o que ele espera que atraia compradores e esgote o estoque \u2014 compradores que valorem mais a TV do que o dinheiro correspondente ao pre\u00e7o. Em seguida, ele calcula o custo de produ\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os correntes e, se for suficientemente inferior \u00e0 receita final prevista, a\u00ed sim ele contrata e combina os fatores de produ\u00e7\u00e3o para obter o produto. N\u00e3o \u00e9 pois o trabalho ou de modo geral o custo de produ\u00e7\u00e3o que determina o valor e o pre\u00e7o. \u00c9 justamente o contr\u00e1rio: o pre\u00e7o projetado determina o custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00a0 O emaranhado de fal\u00e1cias marxistas.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Visando definir o valor com mais rigor do que Ricardo e levar a teoria \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias l\u00f3gicas, Marx acaba demonstrando involuntariamente a invalidade das proposi\u00e7\u00f5es pertinentes. Como seus antecessores, Marx distingue entre valor de uso e valor de troca. Para ele, as trocas s\u00f3 ocorrem quando coincide a quantidade de trabalho empregada no que se d\u00e1 e no que se recebe. S\u00f3 h\u00e1 troca, pois, nos termos marxistas, quando h\u00e1 coincid\u00eancia de valor, que por sua vez \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do volume de trabalho despendido. Ocorre que essa linha de racioc\u00ednio logo esbarra em um obst\u00e1culo insuper\u00e1vel: o trabalho \u00e9 heterog\u00eaneo. Na aus\u00eancia de homegeneidade, n\u00e3o h\u00e1 como tomar o trabalho como unidade de conta e medida de valor. Marx tenta superar o problema com os conceitos de trabalho &#8220;simples&#8221; e trabalho &#8220;complexo&#8221;, fixando uma propor\u00e7\u00e3o entre eles, mas falha totalmente. Como os pre\u00e7os flutuam, Marx decreta que essas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o ilus\u00f3rias; o real \u00e9 um certo &#8220;pre\u00e7o m\u00e9dio&#8221; que equivale ao valor, que equivale ao volume de trabalho despendido na produ\u00e7\u00e3o do bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ao procurar fugir da rede de fal\u00e1cias que vai tecendo, Marx incorre em uma \u00f3bvia peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio que at\u00e9 hoje engana os ing\u00eanuos: a medida do valor seria a quantidade de trabalho &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221; para a produ\u00e7\u00e3o de determinada mercadoria. Ora, s\u00f3 podemos saber o que \u00e9 &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221; investigando o que leva os indiv\u00edduos que comp\u00f5em uma sociedade a valorar uma coisa o suficiente para que sua fabrica\u00e7\u00e3o seja &#8220;socialmente necess\u00e1ria&#8221;. Por que s\u00e3o produzidos mais CDs de ax\u00e9 do que de m\u00fasica cl\u00e1ssica? Por que o pagode \u00e9 mais &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221; do que a m\u00fasica erudita? Porque h\u00e1 muito mais gente que gosta de pagode do que os que preferem m\u00fasica erudita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Fica claro que o que foi dado como provado, que o valor depende da quantidade de trabalho &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221;, \u00e9 precisamente o que se necessita provar. O que \u00e9 &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221;? \u00c9 aquilo que os indiv\u00edduos desejam. Sendo assim, \u00e9 evidente que temos que procurar o valor das coisas nas prefer\u00eancias individuais, n\u00e3o no custo de produ\u00e7\u00e3o. Ademais, o trabalho n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator de produ\u00e7\u00e3o. Marx evidentemente sabe que o trabalho sem o fator terra \u2014 os recursos naturais \u2014 \u00e9 in\u00fatil e vice-versa. Ele assevera que s\u00f3 o trabalho humano cria valor, pois a natureza \u00e9 passiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Mas se o trabalho isolado \u00e9 incapaz de criar valor, o que nos impede de afirmar que o valor depende da quantidade de recursos naturais &#8220;socialmente necess\u00e1rios&#8221; \u00e0 produ\u00e7\u00e3o disso ou daquilo? E, como toda produ\u00e7\u00e3o demanda tempo, por que n\u00e3o pode ser o valor definido como a quantidade de tempo &#8220;socialmente necess\u00e1rio&#8221; para a fabrica\u00e7\u00e3o de uma mercadoria? Nessa ordem de id\u00e9ias, mais l\u00f3gico seria conceber o valor como fun\u00e7\u00e3o da quantidade de trabalho, terra, tempo e capital &#8220;socialmente necess\u00e1rios&#8221; para a produ\u00e7\u00e3o de um bem. No fim das contas, \u00e9 isso mesmo que Marx faz no vol. III de O Capital, relacionando o valor ao custo de produ\u00e7\u00e3o, contradizendo sua pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o do valor-trabalho exposta no vol. I.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Para a teoria subjetiva, todavia, n\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio e n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es: o &#8220;valor de troca&#8221; n\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do trabalho ou do custo de produ\u00e7\u00e3o, e jamais pressup\u00f5e igualdade de valor. Se eu dou tanto valor ao que me proponho a trocar quanto ao que me \u00e9 oferecido, simplesmente n\u00e3o troco. S\u00f3 h\u00e1 troca quando os valores s\u00e3o diferentes, quando cada parte quer mais o que recebe do que o que d\u00e1. O contrato de trabalho n\u00e3o foge \u00e0 regra. Cada contratante valora mais o que recebe do que o que d\u00e1, logo n\u00e3o h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o. De fato, provando-se a falsidade da teoria do valor-trabalho, invalida-se inexoravelmente a explora\u00e7\u00e3o e a mais valia, e todo o edif\u00edcio te\u00f3rico deduzido dessa teoria desaba como um pr\u00e9dio de Sergio Naya.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Ademais, baseando-se na &#8220;lei de ferro dos sal\u00e1rios&#8221;, segundo a qual sempre que a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho subisse acima do n\u00edvel de subsist\u00eancia os &#8220;prolet\u00e1rios&#8221; aumentariam a sua prole, trazendo os sal\u00e1rios de volta para o n\u00edvel de subsist\u00eancia original, Marx assegurou que o capitalismo engendrava a miserabiliza\u00e7\u00e3o crescente do proletariado. Trata-se de uma tese contradit\u00f3ria em seus pr\u00f3prios termos, vez que se a tend\u00eancia fosse a de que a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho permanecesse estagnada num patamar de mis\u00e9ria n\u00e3o haveria uma miserabiliza\u00e7\u00e3o &#8220;crescente&#8221;, e sim uma &#8220;miserabilidade constante&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Na verdade, o padr\u00e3o de vida dos trabalhadores n\u00e3o cessou de aumentar nos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados, o que \u00e9 o resultado natural da liberdade individual de maximizar a utilidade \u2014 o valor \u2014 nas trocas livres, volunt\u00e1rias e mutuamente ben\u00e9ficas travadas no que se chama economia de mercado. A consequente acumula\u00e7\u00e3o de capital investido per capita em grau maior do que o aumento demogr\u00e1fico da for\u00e7a de trabalho torna o trabalho cada vez mais escasso em rela\u00e7\u00e3o ao capital \u2014 e os sal\u00e1rios reais cada vez mais altos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Marx, como \u00e9 comum entre os intelectuais, odiava a divis\u00e3o do trabalho. Mas foi o aprofundamento da divis\u00e3o do trabalho que permitiu o aumento da produtividade do trabalho e o consequente aumento do poder aquisitivo real dos sal\u00e1rios. O &#8220;alienado&#8221; oper\u00e1rio que aperta parafusos na linha de montagem \u00e9 recompensado pelo fato de que a produtividade do seu trabalho \u00e9 tal que lhe permite adquirir produtos antes sequer existentes e ter um padr\u00e3o de vida muito superior ao artes\u00e3o aut\u00f4nomo do passado que controlava todo o processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 Marx acreditava que a livre concorr\u00eancia levaria a uma superconcentra\u00e7\u00e3o do capital. Na verdade, a concorr\u00eancia for\u00e7a sem parar a redu\u00e7\u00e3o de custos e pre\u00e7os, resultando em uma melhor utiliza\u00e7\u00e3o de recursos escassos e os liberando para emprego em novas linhas de produ\u00e7\u00e3o. Marx n\u00e3o distinguiu o capitalista do empreendedor. Na realidade, capitalista \u00e9 todo aquele que consome menos do que produz \u2014 que poupa. Hoje, nos pa\u00edses civilizados, os trabalhadores s\u00e3o capitalistas e suas poupan\u00e7as reunidas em grandes fundos de pens\u00e3o e investimentos capitalizam empresas no mundo todo. O empreendedor \u00e9 todo aquele que vislumbra um desequil\u00edbrio entre a valora\u00e7\u00e3o corrente de custos e pre\u00e7os futuros de um produto qualquer, e enxerga nele uma oportunidade de oferecer aos consumidores coisas que eles valoram mais do que o seu custo de produ\u00e7\u00e3o. A figura do empreendedor \u00e9 insubstitu\u00edvel \u2014 o estado n\u00e3o pode exercer esse papel. Isso os comunistas (e n\u00e3o apenas os comunistas!) puderam verificar na pr\u00e1tica, para sua tristeza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">\u00a0 No sistema de Marx, como vimos, as trocas pressup\u00f5em igualdade de valor entre os bens negociados. Acontece que, como demonstrado acima, as trocas pressup\u00f5em precisamente o contr\u00e1rio: desigualdade de valor. Ou n\u00e3o h\u00e1 troca alguma. Assim, se a realidade se comportasse como na teoria de Marx, n\u00e3o haveria trocas. Na realidade, ningu\u00e9m trabalharia sequer para si mesmo, posto que tal atividade envolve uma substitui\u00e7\u00e3o de um estado atual considerado pelo agente como insatisfat\u00f3rio por um estado futuro reputado como mais satisfat\u00f3rio. Quer dizer, at\u00e9 o trabalho aut\u00f4nomo envolve uma troca e valores desiguais. O mundo de Marx seria povoado por seres aut\u00e1rquicos, aut\u00edsticos e est\u00e1ticos. Um mundo morto. N\u00e3o admira que os regimes socialistas sofram invariavelmente de uma tend\u00eancia para a completa estagna\u00e7\u00e3o e paralisia da atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-1{width:100% !important;}.fusion-builder-column-1 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}<\/style><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;width:100%;\"><div class=\"fusion-separator-border sep-double sep-solid\" style=\"border-color:#ffeb3b;border-top-width:1px;border-bottom-width:1px;\"><\/div><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-5\" style=\"transform:translate3d(0,0,0);\"><p><span style=\"color: #999999;\">[i] Nota do editor: O ax\u00e9 e o pagode son estilos de m\u00fasica popular brasile\u00f1a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #999999;\">[ii] Nota do editor: Sergio Naya (1942-2009) foi un inxe\u00f1eiro, empresario e pol\u00edtico brasileiro implicado nun esc\u00e1ndalo pol\u00edtico pola morte de oito persoas no afundimento dun edificio constru\u00eddo pola empresa na que era o principal accionista.<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 0px;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 0px;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 0px;margin-left : 0px;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-2{width:100% !important;}.fusion-builder-column-2 > .fusion-column-wrapper 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